19 outubro, 2009

Encontro com sabor a chá


Agora que o Outono finalmente chegou, trago-vos uma proposta algo diferente para mais um encontro do À Volta das Letras. Sintra. Uma sala de chá, mas não uma vulgar sala de chá. Chama-se A Saudade. Fica num prédio que já foi uma fábrica de queijadas, os actuais donos fecharam-se durante um ano para recuperar aquele espaço. Hoje é um sítio que apetece estar, rodeados de velharias e iguarias, que convida a leituras.

Por isso parece-me o local ideal para levarmos a Senhora Bovary a beber um chá, que vos parece? Próximo Domingo às 1030 junto à estação de Sintra.

Até lá boas leituras.

14 outubro, 2009

Desvantagem



Qual a grande desvantagem de se ler dois livros ao mesmo tempo sendo um deles o 2666? Uma terrivel dor nas costas.

Boas leituras!

12 outubro, 2009

Critica ao romance Madame Bovary

"A edição comemorativa dos 150 anos da publicação do romance Madame Bovary, de Flaubert, pela Nova Alexandria, traz a íntegra do processo movido pelo Ministério Público de Paris contra o texto que ofendia a moral e a religião. A inclusão do processo no volume torna possível uma avaliação sobre o modo como foi recebido o romance, ainda que, pela ocasião em que se deu, Madame Bovary tivesse sido publicado na Révue de Paris, não estando em livro todavia. É tal o grau da mistura entre autor, personagem e linguagem que não se sabe quem está sendo agredido, se Gustave Flaubert, se Emma Bovary ou se o estilo do livro. Diante disso, fica imortalizada também a exclamação de Flaubert: “Madame Bovary, c’est moi!”.O subtítulo “Costumes de província” é importante para começar a formação da idéia em torno do que se pode esperar: uma história banal dentro de um cotidiano mais banal ainda e que, talvez por isso, tenha alcançado a tragédia. Vale lembrar que Henry James definiu o romance sobre a saga de Emma como o “épico do comum”. Um comum com tal força que foi parar no dicionário: o “bovarismo” acabou por indicar a tendência de certos espíritos romanescos de fugir da realidade e emprestarem a si mesmos uma personalidade fictícia, numa definição usando um pouco dos dois dicionários, o Aurélio e o Houaiss.Emma Bovary não consegue cumprir o destino tedioso guardado para as mulheres na vida privada burguesa e idealiza uma vida apaixonante e um viver apaixonada. Deixar de ser o que toda mulher deveria ser, levou-a ao trágico desfecho. É o olhar crítico para a sociedade oitocentista que abala tal sociedade, ou que a ameaça; enfim, é a literatura realista abrindo uma via de leitura, além do aceitável ou desejável.A professora Eliane Robert Moraes, da PUC-SP, tem uma colocação interessante diante do reconhecimento da imparcialidade do texto de Flaubert quando o narrador não demonstra compaixão nem desprezo, tampouco apelo moral, como se o autor estivesse “transferindo para o leitor a desconfortável tarefa do julgamento”. Eliane atenta que assim fundou-se um novo pacto entre a literatura e seu público: “Não mais o pacto encarnado por Madame Bovary que se perdia nos romances para compensar a banalidade da vida, mas aquele do ‘leitor hipócrita’, cúmplice das incertezas de seu próprio criador”. Adiante com a argumentação e acrescentando a reunião dos poemas de Charles Baudelaire, As Flores do Mal, igualmente causadora de processo, a professora conclui que há 150 anos nasciam as duas primeiras obras-primas do modernismo.A edição comemorativa é primorosa e a leitura dos autos da ação movida contra Flaubert concorre para aumentar o envolvimento do leitor com o clássico da literatura francesa. É sempre um prazer revisitar Emma e certas cenas antológicas, como a do fiacre, ou qualquer outra dentre as “artes” de Emma."
Retirado do blogue Leitora Crítica

11 outubro, 2009

10 outubro, 2009

Pãezinhos em forma de turbante, como se chamarão?

«A senhora Homais apreciava muito aqueles pãezinhos desengraçados, em forma de turbante, que se comem na quaresma com manteiga salgada; último vestígio dos alimentos góticos, que remonta talvez ao século das cruzadas, e de que os robustos Normandos se abarrotavam noutros tempos, julgando ver na mesa, à luz amarelada das tochas, entre jarros de hipocraz e gigantescas peças de carne, cabeças de sarracenos para devorar. A mulher do boticário trincava-os como eles, heroicamente, apesar da sua detestável dentição; por isso, sempre que Homais ia à cidade, não deixava de lhos levar, comprando-os em casa do principal fabricante, na Rua Massacre.»

Breve biografia de Gustave Flaubert

"Escritor francês (1821-1880). É um dos representantes mais importantes do romance realista. Nasce em Rouen e cresce no hospital onde seu pai trabalha como cirurgião-chefe. Começa a escrever em 1843, depois de ser reprovado nos exames de Direito da Universidade de Paris. Um ano depois, com epilepsia, isola-se em um sítio em Croisset, perto de Rouen, propriedade de seu pai. Faz amizades no círculo literário parisiense e escreve duas novelas, publicadas bem mais tarde: A Educação Sentimental (1869) e A Tentação de Santo Antônio (1874). Entre 1849 e 1851, viaja à Africa de onde traz as anotações para o livro Salambô (1862), sobre a queda da antiga civilização de Cartago. Em 1856, após cinco anos de trabalho, publica Madame Bovary , seu romance mais importante, no qual critica os valores românticos e burgueses da época. O livro conta a história de Emma Bovary, que se entrega a sucessivos casos de adultério para fugir da vida medíocre que julga levar ao lado do marido, um médico de província. O romance, que termina com o suicídio de Bovary, causa escândalo na França. Flaubert é acusado de imoralidade e submetido a julgamento."

28 setembro, 2009

Em casa do marquês

«Depois da ceia, em que foram servidos muitos vinhos de Espanha e do Reno, cremes de marisco e de leite de amêndoas, pudins à Trafalgar e toda a espécie de carnes frias com geleias em volta, tremendo nos pratos, as carruagens, umas após outras, começaram a retirar-se.»

Carlos ...

«A conversação de Carlos era chata como o passeio de uma rua, e nela desfilavam as ideias de toda a gente, no seu revestimento comum, sem excitar qualquer emoção, riso ou motivo para meditar. Nunca tivera a curiosidade bastante, dizia ele, para, enquanto habitava Rouen, ir ao teatro ver os actores de Paris. Não sabia nadar, nem esgrimir, nem atirar à pistola, e um dia teve dificuldade em explicar-lhe um termo de equitação que ela encontrara num romance.»

27 setembro, 2009

Leitura paralela - Os homens que odeiam as mulheres


Está certo, dou a mão à palmatória. Requisitei-o na sexta, peguei-lhe no sábado à noite. Passei com ele a madrugada, foi comigo votar, esplanada no Kaffehaus, dentro do carro, sofá, cama, sofá, bancada da cozinha, sofá. Após 539 páginas, leve cansaço nos olhos, não tenho o 2º volume à mão. Vou ressacar e já venho.

P.S.: Em época de eleições, voto na esplanada do Kaffehaus como a melhor esplanada de Lisboa para ler.
Boas leituras!

22 setembro, 2009

O casamento de Carlos e Ema

Procurando seguir o plano de leituras do À Volta das Letras, este mês é dedicado a Madame Bovary de Gustave Flaubert. Para abrir o apetite aos que ainda não iniciaram a leitura, aqui fica a ementa degustada no casamento de Carlos e Ema:

«Foi debaixo da cocheira que foi posta a mesa. Havia em cima quatro travessas de lombo, seis com frango de fricassé, frigideiras com bifes de vitela, três pernas de carneiro e, ao meio, um belo leitão assado, tendo aos lados quatro chouriços com azedas. Aos cantos da mesa erguiam-se frascos de aguardente. Em volta das rolhas das garrafas escapava-se a espuma grossa da cidra doce, e todos os copos tinham antes sido cheios até aos bordos. Grandes pratos de creme, que tremiam à menor oscilação da mesa, ostentavam, desenhadas sobre a superfície unida, as iniciais dos noivos em pedaçinhos de maçã. Tinham mandado fazer a um pasteleiro de Yvetot as empadas e o doce de nozes. Como era novo na região tinha-se esmerado; e ele próprio trouxe, à sobremesa, um bolo enfeitado que fez saltar gritos. Na base, via-se um rectângulo de cartão azul representando um templo com pórticos, colunatas e estatuetas de estuque, à volta, em nichos constelados de estrelas de papel dourado; depois, no segundo andar, havia uma torre de doce de Sabóia, rodeada de pequenos castelos de amêndoas, uvas secas e gomos de laranja; e por fim, na plataforma superior, que era um prado verde onde havia rochedos com lagos de compota e barcos de casca de avelã, via-se um pequenino Amor sobre um baloiço de chocolate, seguro nas extremidades por dois botões de rosa naturais, à maneira de esferas, no cume.»

Dois dias depois do casamento, Carlos e Ema partem para Tostes. Cheguei com eles à casa onde Carlos viveu com a sua primeira mulher.

Comecem a ler e venham daí comigo.

13 setembro, 2009

Jesusalém - Leitura paralela


Durante este fim-de-semana agarrei-me ao livro de Mia Couto, Jesusalém. Gostei menos de que estava a espera, mas ainda assim foi um livro que me manteve presa da primeira até à última página. Mia Couto conta-nos a história de Silvestre Vitalício ou Mateus Ventura que foge para uma terra a que dá o nome de Jesusalém. Quem nos conta a história é o seu filho mais novo cuja especialidade é saber estar em silêncio. Mia Couto é bom em brincar com as palavras e a construir enredos que se vão revelando muito devagarinho deixando uma peça fundamental para o fim.

Boas leituras!

10 setembro, 2009

Pobby and Dingan - Leitura paralela


A Sofia já por várias vezes me tinha falado deste livro mas por diversas razões fui sempre adiando esta leitura. A Sofia que não é de meias medidas e já devia estar farta de tanta hesitação, mandou-me o livro… Tive mesmo de o ler. O Pobby e Dingan de Bem Rice pode ser “catalogado” como um livro infantil, para adolescentes, adultos e terceira idade. Cabe em qualquer faixa etária. A história é muito simples, uma menina que tem dois amigos imaginários ... e não posso revelar mais correndo o risco de vos estragar a surpresa. É um livro muito pequenino (79 páginas) mas delicioso.



Sofia, obrigada pela partilha.

09 setembro, 2009

Ler e partilhar

Nos últimos dias, estive numa formação chatíssima e como sempre fui acompanhada de um livro, nos intervalos ou nas horas de almoço aproveitei para ir lendo. Num dos dias em que cheguei mais cedo (sou estupidamente pontual) e que ainda não tinha chegado ninguém tirei o livro da mala e comecei a ler. Fui interrompida por um grito de espanto por uma colega de formação, que muito admirada me perguntou “gostas de ler?”, ao que respondi que sim, de que até era mais que gostar era um vício.

A colega não perdeu tempo e começou a falar dos livros que mais tinha gostado, do que andava a ler, do que não conseguia ler de todo. Quase no fim daquela conversa disse-me que só tinha pena da solidão que sentia quando acabava de ler um livro, porque não tinha ninguém com quem conversar sobre livros! Percebi muito bem o que me quis dizer, não há tantos anos quanto isso, quando terminava um livro, sentia isso mesmo, apenas duas amigas partilhavam desse gosto/vicio, o que já não era mau. Aliás essa foi a uma das razões para a criação deste blogue, a partilha de leituras.

Hoje vivo no maravilhoso mundo dos livros e o difícil é falar sobre outras coisas sem ser de livros, no entanto encontrar pessoas que se sentem sozinhas quando terminam de ler um livro enche-nos de motivação para continuar este blogue e manter os encontros mensais. No próximo encontro do À volta das letras vou convidar a colega “solitária” para partilhar as suas leituras com o nosso grupo.


Boas leituras e boas partilhas.