O que nos diz Richard Zimler nos seus livros? O que procuramos nas suas obras?
Que escritor é Zimler?
Que personagem mais vos intrigou em "À Procura de Sana"?
"À Procura de Sana" é um romance ou um relato verídico e pessoal do autor?
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26 julho, 2006
Inquietações literárias
25 julho, 2006
Pela Porta do Judaísmo
«"À Procura de Sana" é, em diversos aspectos, um livro que convida à polémica. Não menos pela forma como encara o terrorismo e as acções de Israel em relação aos palestinianos. Uma abordagem que poderá alienar uma secção de leitores que se habituaram a ver Zimler como defensor dos Judeus perseguidos. «Sinto que corro o risco de alienar aqueles leitores que gostam dos meus livros apenas pela temática judaica». Quanto a reacções mais apaixonadas, da parte dos sionistas, Zimler confessa que ainda não as recebeu, mas avança uma explicação: o livro ainda não foi publicado nos Estados Unidos da América (EUA). «Se o livro sair em Israel, não haverá problema. Lá pode-se discordar. Nos EUA toda a gente tem de ser 100% a favor de tudo o que Israel faz. Não é que não apoie Israel, simplesmente não apoio tudo o que Israel faz. O importante é lembrar que isto é uma história, sobre coisas boas e más que acontecem às pessoas, e acontecem coisas más a palestinianos que vivem em Israel».
A fama de que Zimler goza, de ser um autor que escreve temáticas judaicas, vai-se justificando pelo facto de esta ser a sua quarta obra seguida que tem no judaísmo um aspecto importante da trama. «Vejo o judaísmo como uma porta, através da qual eu posso falar das coisas importantes da vida. Vingança, crueldade, terrorismo, amizade, solidariedade. Porquê o judaísmo? Porque é o que conheço bem».
Contudo, não estamos perante um judeu religoso. O que é então o judaísmo para Richard Zimler? «Suponho que seja apenas uma referência. Cresci numa cultura judaica e tenho todas as referências de um judeu de Nova Iorque. O que me interessa mais são as histórias, a mitologia judaica, e isso é um aspecto que me atrai a diversas outras religiões». A ligação a Israel é bastante mais ténue, «não sinto nenhuma ligação especial a Israel. O que sinto é que, tendo em conta a história dos Judeus, nós temos uma responsabilidade acrescida para tratar os outros de forma humana e respeitosa. E o facto de isso nem sempre acontecer irrita-me muito».
À luz destas explicações, compreendemos melhor a acusação que Helena faz a Zimler no livro, quando lhe diz que ele não é um judeu como deve ser, uma coisa que ouve frequentemente?«Sou mesmo eu que o digo de mim mesmo. Às vezes sentia que as pessoas ficavam desiludidas quando me viam, esperavam ver-me de chapéu e de caracóis, como um judeu ortodoxo. Por isso, como defesa, digo logo à partida que sou um péssimo judeu».»
A fama de que Zimler goza, de ser um autor que escreve temáticas judaicas, vai-se justificando pelo facto de esta ser a sua quarta obra seguida que tem no judaísmo um aspecto importante da trama. «Vejo o judaísmo como uma porta, através da qual eu posso falar das coisas importantes da vida. Vingança, crueldade, terrorismo, amizade, solidariedade. Porquê o judaísmo? Porque é o que conheço bem».
Contudo, não estamos perante um judeu religoso. O que é então o judaísmo para Richard Zimler? «Suponho que seja apenas uma referência. Cresci numa cultura judaica e tenho todas as referências de um judeu de Nova Iorque. O que me interessa mais são as histórias, a mitologia judaica, e isso é um aspecto que me atrai a diversas outras religiões». A ligação a Israel é bastante mais ténue, «não sinto nenhuma ligação especial a Israel. O que sinto é que, tendo em conta a história dos Judeus, nós temos uma responsabilidade acrescida para tratar os outros de forma humana e respeitosa. E o facto de isso nem sempre acontecer irrita-me muito».
À luz destas explicações, compreendemos melhor a acusação que Helena faz a Zimler no livro, quando lhe diz que ele não é um judeu como deve ser, uma coisa que ouve frequentemente?«Sou mesmo eu que o digo de mim mesmo. Às vezes sentia que as pessoas ficavam desiludidas quando me viam, esperavam ver-me de chapéu e de caracóis, como um judeu ortodoxo. Por isso, como defesa, digo logo à partida que sou um péssimo judeu».»
Título e texto da entrevista de Richard Zimler à revista "Os Meus Livros" por Filipe d´Avillez.
23 julho, 2006
A importância da memória
"As últimas palavras de Irene para Rosa tinham sido: «Tenta guardar-me na tua memória!» (...) «Enquanto te lembrares de mim continuarei viva de alguma maneira.»" P. 41 e 42
Qual a importância da memória após a morte? Conquistamos um pouco de vida na memória, lembranças do outro?
Qual a importância da memória após a morte? Conquistamos um pouco de vida na memória, lembranças do outro?
Mensagem da India
A nossa India por razões pessoais não pôde estar presente no nosso encontro de hoje, mas para marcar a sua presença deixou-nos este texto com a sua opinião.
Mais uma vez, obrigada India.
" A procura de Sana fez-me questionar as fronteiras, por vezes ténues, entre a vida e morte, solidão e vidas aparentemente preenchidas e enriquecedoras, entre a luz e a sombra, racionalismo e loucura. Na vida nada é linear e as circuntâncias podem tornar a existência num verdadeiro labirinto. A sobrevivência não se resume ao físico. Uma dor interior mina a força animica que nos permite ser maiores. Richard envolve-nos magistralmente nesses enredos conturbados da mente. Também levanta algumas reflexões politicas e religiosas. Que leis? Que justiça? Que futuro?"
India
14 julho, 2006
09 julho, 2006
Não sou um caso raro...
"...- Disse-te que a maior parte as pessoas em Paris vive só, porque isso é outra das razões por que eu vivo cá. Não sou sum caso raro, em França. Em Israel, sou. As pessoas lá querem sempre saber por que é que não tenho filhos, por que não sou casada...e por que vivo na Europa. Estão sempre a perguntar-me «Acredita em Deus?», ou «Os Franceses ainda são anti-semitas?». Querem saber tudo. Mas eu não tenho respostas que os satisfaçam.
In, À Procura de Sana, pág. 117
Não é só em Israel que as pessoas querem saber tudo. Por cá também se passa o mesmo, fazem imensas perguntas e chegam a dar opiniões, mesmo sem serem pedidas.
In, À Procura de Sana, pág. 117
Não é só em Israel que as pessoas querem saber tudo. Por cá também se passa o mesmo, fazem imensas perguntas e chegam a dar opiniões, mesmo sem serem pedidas.
04 julho, 2006
Não és uma pessoa fácil...
"- Ela matou-se para me levar a escrever a história dela? - perguntei. - Será possível?
-É possível. Só não sei ao certo se foi isso que aconteceu.
-Não és uma pessoa fácil, sabias? Toda esta história... Tudo o que aconteceu desde Perth...É como se tu e a Sana estivessem a virar o meu mundo de pernas para o ar."
In, À procura de Sana, pág. 99
02 julho, 2006
Há pessoas tão poderosas...
"Há pessoas tão poderosas que nos orientam. Só por saber que ela estava no mundo... era como ter uma praça central diante de mim. Percebes? Podia ir para qualquer lado, mudar de profissão, fazer o que queria, sabendo que ela estava onde estava. Isto faz algum sentido?"
In À procura de Sana, pág. 72
Faz algum sentido??
Doris Day


"Helena contou-me que uma vez a mãe dela tentou tingir de loiro o cabelo com uma embalagem encomendada da América depois de ter visto um filme de Doris Day em que a actriz parecia feita de plástico polido - aparentemente considerado um aspecto invejável em algumas zonas de Israel na década de 1950."
Fotos de Doris Day.
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29 junho, 2006
Há sofrimentos maiores do que a morte ...
"(...) todos nós somos capazes de conceber um sofrimento pior do que a morte."
in À Procura de Sana, P.31
A mim, assusta-me a ideia de possuir um sofrimento tal que me leve a preferir a morte. Penso que a ideia da morte, do suicídio já passou pela cabeça de todos nós, num momento ou outro da nossa vida.
Um sofrimento pior do que a morte, neste momento, seria uma doença. Daquelas que todos nós tememos e respeitamos, especialmente, quando sabemos de algum caso que nos aviva a consciência.
Assusta-me a ideia de me ver a definhar dia-a-dia, perder capacidades, interesses e a própria vontade de viver.
Assusta-me a ideia da incapacidade, da total dependência e a tomada de consciência de tudo isso.
in À Procura de Sana, P.31
A mim, assusta-me a ideia de possuir um sofrimento tal que me leve a preferir a morte. Penso que a ideia da morte, do suicídio já passou pela cabeça de todos nós, num momento ou outro da nossa vida.
Um sofrimento pior do que a morte, neste momento, seria uma doença. Daquelas que todos nós tememos e respeitamos, especialmente, quando sabemos de algum caso que nos aviva a consciência.
Assusta-me a ideia de me ver a definhar dia-a-dia, perder capacidades, interesses e a própria vontade de viver.
Assusta-me a ideia da incapacidade, da total dependência e a tomada de consciência de tudo isso.
22 junho, 2006
Perth
"Conheci Sana no meu terceiro dia em Perth, na tarde de 9 de Fevereiro de 2000. Tinha-me aí deslocado para participar no Encontro de Escritores de Perth (...)"
in À Procura de Sana, p. 9
20 junho, 2006
Estamos a ler ...
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