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22 novembro, 2008

Encontro

Depois de abrimos o apetite com as crónicas do Em Portugal não se come mal era mais que óbvio que o encontro do À Volta das Letras deste mês tinha de incluir comida.

Tinha ficado combinado que o jantar seria dia 22 (hoje) na Casa do Alentejo, mas por vários motivos tivemos que antecipar o encontro para ontem e mudar o restaurante para a Casa dos Passarinhos (a Casa do Alentejo já não aceitava reservas, é a crise!).

Restaurante decidido, hora marcada, aí fomos nós.

Por voltas das 21h30 lá nos conseguimos sentar à mesa. Restaurante familiar, a rebentar pelas costuras, barulhento. Fiquei receosa, será que conseguiríamos conversar naquela confusão.

Chegou à comida, tudo maravilhoso: naco na pedra, arroz de polvo malandrinho, arroz de tamboril, um vinho tinto da casa e umas belas batatas fritas. A sobremesa, leite-creme e gelado da casa (enorme), quanto ao gelado da Minerva nem vamos falar tendo em conta o seu tamanho mínimo.

Cafés. Muita conversa depois… O restaurante vazio, restávamos nós que nem nos apercebemos que já toda a gente tinha saído, o empregado (impecável) nem nos aparecia com medo de estragar a conversa.

Falou-se de tudo, crise económica, clássicos gregos, Sintra e o seu misticismo, comida, restaurante, Cristiano Ronaldo, ensino, as nossas novidades e claro de livros, livros, livros, livros.

Decisão difícil foi qual o livro para o próximo mês. Entre várias sugestões optamos por Mau tempo no canal de Vitorino Nemésio.

Encontro ficou para dia 21 de Dezembro no Kaffeehaus para tomarmos o pequeno-almoço e passearmos pelo Chiado com a paisagem natalícia que por lá anda.

02 novembro, 2008

A revista Ler

do mês de Outubro fala sobre o novo livro de Miguel Esteves Cardoso, aqui ficam alguns excertos para abrir o apetite:

“E honestos porque Miguel Esteves Cardoso obedece apenas a uma critério essencial: escrever o que lhe passa pelo estômago, sem cedências politicamente correctas.”

“Qualquer que seja o pretexto, Miguel Esteves Cardoso nunca escreve em lume brando.”

“Neste livro, os portugueses sentam-se à mesa, na companhia de um espelho desses bem grandes. E o resultado não desilude. Somos assim. Gastronomicamente assim.”

30 outubro, 2008

Surreal

“Pediu um garfo e uma faca ao empregado e, pela minha santa bola, coberto apenas pelo exíguo “com licença”, chamou a ele os poucos poderes de coordenação motora que lhe restava e entreteve-se a invadir a minha frigideira de barro e a cortar, com muito jeitinho, uma ponta de meu bife.”


pág. 178/179

Simplesmente genial. Parece uma cena para um programa de apanhados. Adorava ter visto a cara de MEC e do empregado.

29 outubro, 2008

Que raio...



“(…) – embora, raios me partam, ainda não tenha conseguido marcar uma mesa no El Bulli, o restaurante catalão onde o irrequieto cozinheiro e inventor divulga alegremente os insólitos descobrimentos dele.”

O El Bulli pede desculpa por não poder aceitar mais reservas para 2009??? O que terá este restaurante de tão especial?

27 outubro, 2008

Opinião pessoal

“Para os portugueses, era comer sardinhas! Peixinho! Sardinhas, tomates, pimentos, salsa…”


É oficial este livro dá-me fome!!

26 outubro, 2008

Sem merda, nada feito

"Sem merda, nada feito" é o título da primeira crónica do livro Em Portugal não se come mal de Miguel Esteves Cardoso. Aqui ficam alguns excertos:

«Sub-repticiamente, sem notícia nem protesto, vão desaparecendo da mesa portuguesa iguairias essenciais - algumas por causas naturais, porventura inevitáveis, mas outras por determinação burocrática, assentes na dupla-prensa com que presentemente nos comprimem os testículos e ovários e oprimem as papilas e as barriguinhas» p. 13

Como é conhecido, parte desta "tortura gastronómica" é imposta por Bruxelas. «Assim aconteceu com o azeite (...) e o vinho tinto. Presentemente elogiam-se muito as amêndoas, o chocolate com mais de 70% de cacau o presunto ibérico artesanal.» p. 13

«Com a ditadura de Bruxelas, o caso é muito preocupante. Em vez de encolher os ombros, os nossos governantes, sempre os melhores alunos da Europa na fase condescendente de Delors, apressam-se a aplicar todas as normas emanadas - e isto é muito imortante - de países onde se come mal e porcamente.»p. 14

Comer é um prazer e nós portugueses temos uma das melhores gastronomias do mundo. No entanto, sinto-me desconfortável quando um legislador que não percebe nada de boa comida, de tradições alimentares e hábitos culturais tenta normalizar o que não pode ser normalizado, ou que não deveriamos deixar normalizar.

Quantas gerações foram criadas com o galheteiro na mesa? E as colheres de pau? E os recipientes de barro? E a aguardente? O paõ para a açorda? O queijo da Serra?

Com a mania de querermos aplicar a lei sem adaptações à nossa cultura, depois temos exageros, excessos e incongruências. E quem perde, quem é?

23 outubro, 2008

Profissionais do queixume

“Para um português, esteja fresquinho ou calor, está sempre “desagradável”. O verão faz saudades do Inverno; o Inverno do Verão; há sempre vento; não se pode estar cá fora; não vale a pena ter esplanadas; está demasiado calor; não se pode trabalhar; olha a corrente de ar…”

Não poderia ser mais verdade. Há pessoas que são profissionais no queixume. Se não encontraram motivos no tempo, economia, vida familiar, profissional arranjam uma dor de costas de cabeça ou outra coisa do género. Do que mais gosto de ouvir, dentro dos queixumes, é o trânsito, que está sempre infernal (transportes públicos, já ouviram falar?) e da falta de tempo.

Que tal queixarem-se menos e aproveitarem essa energia para fazerem algo proveitoso?

19 outubro, 2008

Na rádio...

Miguel Esteves Cardoso fala do seu Em Portugal não se come mal no programa Pessoal... e Transmissível.

Sinopse:


«A vida come-se quando é boa; come-nos quando é má. E às vezes, quando menos esperamos, também comemos com ela.Em Portugal, antes de todas as coisas, está o tempo. Este tempo. Este que ninguém nos pode tirar e a que os povos com tempos piores chamam, à falta de melhor, clima.Depois, há coisas que crescem por causa do tempo. Como o tempo é bom, são boas. E como as coisas são boas, os portugueses querem comê-las. E comem-nas bem comidas, o mais perto que possam ficar da nascença. Ou da cozinha.O resto bem pode ser do pior que pode haver no mundo. Não é.Mas pode ser, à vontade do freguês, conforme se quiser.Que se lixe esse resto. Quando se come bem – quando se come a vida à nossa volta, com Portugal inteiro à nossa volta, a comer connosco – esse resto também não parece grande por aí além.Que fique por saber como realmente se vive em Portugal. Mas que fique claro que comer, não se come mal. Que sirva este meu livro de gordo desmentido.E o resto é como o resto. Ah, Portugal, nosso restaurante! Mas, quando se come bem e se está com a barriga cheia, o resto que está mal é como o resto de um bom almoço.Alguma coisa há-de fazer-se com ele.Porventura deliciosa, se faz favor.»



Miguel Esteves Cardoso

Leitura do mês