Um poema?
É para já. Poema
só pede inspiração
não é problema
ou teorema matemático.
Poema é liberdade
e vamos a ele
que se faz tarde.
Posso optar pelo dramático:
a morte
o ciúme
ou a má sorte
quando costume.
Em boa verdade
não faltam temas
para os poemas:
pôr-do-sol, lua cheia
as flores
odores
ondas na areia
o amor
pois, o amor.
Não é tema absoleto
e puxa até para o soneto.
Confesso-me indeciso.
Paria já um poema
sobre o dilema
se fosse preciso.
Mas não é o rumo.
Fumo e penso
penso e fumo.
O poema que quero
tem de ser um grito
imenso
infinito
sincero.
Talvez protesto social.
Esquece.
É boa briga
mas não me parece
que consiga
ser original.
Decide-te: o quê?
Deixa, logo se vê.
Logo, não. Agora.
Empurra-me isso
do compromisso
e chegou a hora.
Então, pronto,
Só preciso de calma,
Poema também é conto
O poeta conta
enlevo ou afronta
que lhe vai na alma.
Já sei: a mulher
com quem me cruzei
uma tarde qualquer
na rua da Prata,
carnudos os lábios
olhos de gata
os passos sábios
caminha elegante
ondulante
cabelo solto
revolto
despenteado
anca estreita
cintura perfeita
rabo alçado.
Um manequim.
Passeava-se à toa
sandálias modernas
e quanto a pernas
- as melhores de Lisboa.
Mulher assim
nem no cinema.
Vale um poema.
Mário Zambujal in Tantas Mãos, a mesma Primavera, Oficina do Livro, P.80
Mostrar mensagens com a etiqueta Mário Zambujal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mário Zambujal. Mostrar todas as mensagens
17 junho, 2006
16 junho, 2006
A insinuação
"A insinuação é a valentia dos manhosos. Quem insinua não acusa, por falta de certezas ou de tomates, mas vai acusando."
in Primeiro as Senhoras, P. 77
in Primeiro as Senhoras, P. 77
Anúncio do fim...
"Terceiro tlintlim, ouviu? Anúncio do fim. Subtilmente, traz-me a sensação de que anda tudo a pilhas. Por exemplo, a relação com a Renata exige ser recargada. Mas que adianta, se ela se desligou?
Passe um magnífico domingo e até amanhã."
In, Primeiro as Senhoras, pág. 78
Puxar pela cabeça é verbo que implica esforço
"«Edgar», [dizia-lhe o pai], «nada se consegue sem puxar pela cabeça.»
Parece fácil. Mas puxar pela cabeça é verbo que implica esforço. E cabeça não se limita a esta espécie de abóbora óssea que carregamos no pescoço. Puxar pela cabeça é pressionar a substância nervosa que ocupa a quase totalidade da caixa craniana. "
in Primeiro as Senhoras, P.48
Parece fácil. Mas puxar pela cabeça é verbo que implica esforço. E cabeça não se limita a esta espécie de abóbora óssea que carregamos no pescoço. Puxar pela cabeça é pressionar a substância nervosa que ocupa a quase totalidade da caixa craniana. "
15 junho, 2006
Ideias ...
"O crime perfeito só existe quando a investigação é imperfeita"
"A pior solidão é quando estamos acompanhados e os outros nos ignoram."
A importância das criaturas nem sempre se mede pelo rebuliço que provocam (....)"
in Primeiro as Senhoras, P.13, 27 e 28.
"A pior solidão é quando estamos acompanhados e os outros nos ignoram."
A importância das criaturas nem sempre se mede pelo rebuliço que provocam (....)"
in Primeiro as Senhoras, P.13, 27 e 28.
Dilema
"Horrível dilema. Os dilemas são cruzamentos sem sinais, uma pessoa não sabe onde virar. Na sexta-feira meti-me num. Quando terminámos a nossa conversa da tarde, andei por aí, passeando, absorto: de repente, vejo-me a vinte metros da butique da Renata."
in pág. 76, Primeiro as Senhoras
in pág. 76, Primeiro as Senhoras
14 junho, 2006
Piropos
«A partir daí deu-me para os piropos. Piropo tem mal? Não tem. Vem dos antiquíssimos madrigais, ou antes, antes, desde que existem mulheres e homens com olhos na cara.
(...) os piropos são homenagens que se prestam, com ou sem objectivo.»
in Primeiro as Senhoras, P.29(...) os piropos são homenagens que se prestam, com ou sem objectivo.»
Há dias em que um piropo, inteligente e com humor, nos ajuda a levantar a moral. Não concordam?
O que pensam os homens deste bom malandro?
Continuamos a ler...
"Todas as mulheres são diferentes mas cada uma faz lembrar as outras."
In pág. 49
Primeiro as Senhoras
In pág. 49
Primeiro as Senhoras
13 junho, 2006
Mário Zambujal no programa Escrita em Dia
Programa Escrita em Dia de Francisco José Viegas, na Antena Um, com Mário Zambujal. Pode ser ouvido, aqui.
Via Origem das Espécies.
Via Origem das Espécies.
Mário Zambujal
Mário Zambujal nasceu a 5 de Março de 1936, no Alentejo. Viveu a sua adolescência no Algarve e foi aí que nasceu a sua carreira de jornalista.A sua ocupação não fica só pelo jornalismo foi também apresentador de programas de televisão e rádio, director de jornais (Tal e Qual, Sete), revistas e escritor.
Mário Zambujal define-se a si mesmo como um homem de muitas paixões.
O seu primeiro livro, que já vai na 28ª edição, Crónica dos Bons Malandros, chega ao público em 1980, seguido de Histórias do Fim da Rua (1983), A Noite Logo se Vê (1986), Os Novos Mistérios de Sintra, este partilhado com mais seis escritores (2005) já este ano Primeiro as Senhoras.
Mais recentemente foi lançado o Código de Avintes, onde Mário Zambujal participa com mais seis escritores, à semelhança de Os Novos Mistérios de Sintra.
Mário Zambujal é um bom malandro de setenta anos, com um sentido de humor refinado que passa para os seus livros.
12 junho, 2006
Para abrir o apetite...
" Quem me conhece pode confirmar: se há defeito a que a natureza me poupou é a hipocrisia. Primeiro as senhoras. Nunca por nunca ocultei o apreço por mulheres, sobretudo as especiais, como é o evidente caso da Renata Emília...."
in Pág. 26
Primeiro as Senhoras
Estamos a ler ...
Subscrever:
Mensagens (Atom)
