«A senhora Homais apreciava muito aqueles pãezinhos desengraçados, em forma de turbante, que se comem na quaresma com manteiga salgada; último vestígio dos alimentos góticos, que remonta talvez ao século das cruzadas, e de que os robustos Normandos se abarrotavam noutros tempos, julgando ver na mesa, à luz amarelada das tochas, entre jarros de hipocraz e gigantescas peças de carne, cabeças de sarracenos para devorar. A mulher do boticário trincava-os como eles, heroicamente, apesar da sua detestável dentição; por isso, sempre que Homais ia à cidade, não deixava de lhos levar, comprando-os em casa do principal fabricante, na Rua Massacre.»
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10 outubro, 2009
28 setembro, 2009
Em casa do marquês
«Depois da ceia, em que foram servidos muitos vinhos de Espanha e do Reno, cremes de marisco e de leite de amêndoas, pudins à Trafalgar e toda a espécie de carnes frias com geleias em volta, tremendo nos pratos, as carruagens, umas após outras, começaram a retirar-se.»
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Madame Bovary
Carlos ...
«A conversação de Carlos era chata como o passeio de uma rua, e nela desfilavam as ideias de toda a gente, no seu revestimento comum, sem excitar qualquer emoção, riso ou motivo para meditar. Nunca tivera a curiosidade bastante, dizia ele, para, enquanto habitava Rouen, ir ao teatro ver os actores de Paris. Não sabia nadar, nem esgrimir, nem atirar à pistola, e um dia teve dificuldade em explicar-lhe um termo de equitação que ela encontrara num romance.»
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