«Depois da ceia, em que foram servidos muitos vinhos de Espanha e do Reno, cremes de marisco e de leite de amêndoas, pudins à Trafalgar e toda a espécie de carnes frias com geleias em volta, tremendo nos pratos, as carruagens, umas após outras, começaram a retirar-se.»
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28 setembro, 2009
Em casa do marquês
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Gastronomia,
Gustave Flaubert,
Madame Bovary
22 setembro, 2009
O casamento de Carlos e Ema
Procurando seguir o plano de leituras do À Volta das Letras, este mês é dedicado a Madame Bovary de Gustave Flaubert. Para abrir o apetite aos que ainda não iniciaram a leitura, aqui fica a ementa degustada no casamento de Carlos e Ema:
«Foi debaixo da cocheira que foi posta a mesa. Havia em cima quatro travessas de lombo, seis com frango de fricassé, frigideiras com bifes de vitela, três pernas de carneiro e, ao meio, um belo leitão assado, tendo aos lados quatro chouriços com azedas. Aos cantos da mesa erguiam-se frascos de aguardente. Em volta das rolhas das garrafas escapava-se a espuma grossa da cidra doce, e todos os copos tinham antes sido cheios até aos bordos. Grandes pratos de creme, que tremiam à menor oscilação da mesa, ostentavam, desenhadas sobre a superfície unida, as iniciais dos noivos em pedaçinhos de maçã. Tinham mandado fazer a um pasteleiro de Yvetot as empadas e o doce de nozes. Como era novo na região tinha-se esmerado; e ele próprio trouxe, à sobremesa, um bolo enfeitado que fez saltar gritos. Na base, via-se um rectângulo de cartão azul representando um templo com pórticos, colunatas e estatuetas de estuque, à volta, em nichos constelados de estrelas de papel dourado; depois, no segundo andar, havia uma torre de doce de Sabóia, rodeada de pequenos castelos de amêndoas, uvas secas e gomos de laranja; e por fim, na plataforma superior, que era um prado verde onde havia rochedos com lagos de compota e barcos de casca de avelã, via-se um pequenino Amor sobre um baloiço de chocolate, seguro nas extremidades por dois botões de rosa naturais, à maneira de esferas, no cume.»
Dois dias depois do casamento, Carlos e Ema partem para Tostes. Cheguei com eles à casa onde Carlos viveu com a sua primeira mulher.
Comecem a ler e venham daí comigo.
«Foi debaixo da cocheira que foi posta a mesa. Havia em cima quatro travessas de lombo, seis com frango de fricassé, frigideiras com bifes de vitela, três pernas de carneiro e, ao meio, um belo leitão assado, tendo aos lados quatro chouriços com azedas. Aos cantos da mesa erguiam-se frascos de aguardente. Em volta das rolhas das garrafas escapava-se a espuma grossa da cidra doce, e todos os copos tinham antes sido cheios até aos bordos. Grandes pratos de creme, que tremiam à menor oscilação da mesa, ostentavam, desenhadas sobre a superfície unida, as iniciais dos noivos em pedaçinhos de maçã. Tinham mandado fazer a um pasteleiro de Yvetot as empadas e o doce de nozes. Como era novo na região tinha-se esmerado; e ele próprio trouxe, à sobremesa, um bolo enfeitado que fez saltar gritos. Na base, via-se um rectângulo de cartão azul representando um templo com pórticos, colunatas e estatuetas de estuque, à volta, em nichos constelados de estrelas de papel dourado; depois, no segundo andar, havia uma torre de doce de Sabóia, rodeada de pequenos castelos de amêndoas, uvas secas e gomos de laranja; e por fim, na plataforma superior, que era um prado verde onde havia rochedos com lagos de compota e barcos de casca de avelã, via-se um pequenino Amor sobre um baloiço de chocolate, seguro nas extremidades por dois botões de rosa naturais, à maneira de esferas, no cume.»
Dois dias depois do casamento, Carlos e Ema partem para Tostes. Cheguei com eles à casa onde Carlos viveu com a sua primeira mulher.
Comecem a ler e venham daí comigo.
25 novembro, 2007
Ainda a propósito de culinária ...
Angola
«Nas três semanas que se seguiram comemos apenas gafanhotos, assados, cozidos, fritos e salteados (...).»
«Repugna-lhe a culinária angolana? Pois lembre-se que entre a aristrocracia romana os gafanhotos, precisosamente assados em mel, eram muitíssimo apreciados. Os Romanos, de resto, praticavam a entomofagia com particular entusiasmo. Nas mesas não faltavam, por exemplo, as larvas de escaravelho temperadas com vinho e depois grelhadas. Na Grécia antiga as infusões de percevejos eram utilizadas para combater as febres mais resistentes, e ainda hoje, em alguns países da Europa Central, se recorre com idêntico propósito a um chá confeccionado a partir da vulgar barata doméstica. No meu país, na minha Lisboa, comem-se pelas tascas pequenos caracóis, cozidos em água, sal e óregãos, sendo este petisco muito apreciado pelas classes populares.»
in Nação Crioula, p. 68
No Brasil
«Às visitas da manhã é de uso oferecer-se um cálice de licor, em geral preparado em casa e sempre excelente; cachaça, ou uma bebida refescante indígena, o guaraná, à qual os brasileiros atribuem todo o tipo de virtudes regenadoras. À tarde, o licor é acompanhado por bolinhos e café. » p. 89
Em Portugal
«Veio o bacalhau, esplêndido, com o grão-de-bico, os pimentos, a salsa fresca (...)»
«Nas três semanas que se seguiram comemos apenas gafanhotos, assados, cozidos, fritos e salteados (...).»
«Repugna-lhe a culinária angolana? Pois lembre-se que entre a aristrocracia romana os gafanhotos, precisosamente assados em mel, eram muitíssimo apreciados. Os Romanos, de resto, praticavam a entomofagia com particular entusiasmo. Nas mesas não faltavam, por exemplo, as larvas de escaravelho temperadas com vinho e depois grelhadas. Na Grécia antiga as infusões de percevejos eram utilizadas para combater as febres mais resistentes, e ainda hoje, em alguns países da Europa Central, se recorre com idêntico propósito a um chá confeccionado a partir da vulgar barata doméstica. No meu país, na minha Lisboa, comem-se pelas tascas pequenos caracóis, cozidos em água, sal e óregãos, sendo este petisco muito apreciado pelas classes populares.»
in Nação Crioula, p. 68
No Brasil
«Às visitas da manhã é de uso oferecer-se um cálice de licor, em geral preparado em casa e sempre excelente; cachaça, ou uma bebida refescante indígena, o guaraná, à qual os brasileiros atribuem todo o tipo de virtudes regenadoras. À tarde, o licor é acompanhado por bolinhos e café. » p. 89
Em Portugal
«Veio o bacalhau, esplêndido, com o grão-de-bico, os pimentos, a salsa fresca (...)»
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Gastronomia,
José Eduardo Agualusa,
Nação Crioula
26 março, 2007
Sugestões para a Páscoa

"Na Páscoa é mais o cabrito do que o borrego..."
Ora aqui fica a receita da praxe e em tempos de Páscoa tinha de ser de cabrito.
Quem não quiser ter trabalho pode ir jantar e assistir a um espectáculo na semana santa aqui.
21 setembro, 2006
Petisco de pobre
(imagem retirada do blogue cinco quartos de laranja)"Quando Sete-Sóis chegou a Aldegalega, estava anoitecendo. Comeu umas sardinhas fritas, bebeu uma tigela de vinho, e não lhe chegando o dinheiro para a pousada, tão-só, à escassa, para a passagem de amanhã, meteu-se num telheiro, debaixo de uns carros, e aí dormiu..."
"Baltazar comprou três sardinhas assadas, que, sobre a indespensável fatia de pão, soprando e mordiscando, comeu enquanto caminhava em direcção ao Terreiro do Paço..."
In pág. 26 e 29, Memorial do Convento
A sardinha foi em tempos comida dos pobres, hoje em dia chega-se a pagar dois euros por sardinha no pão na noite de Santo António. Seja pelo preço ou não, a sardinha têm vindo a tornar-se requintada, vejam lá esta receita e digam se não tenho razão.
Lasanha de Beringela com Sardinha
Ingredientes
- 1 beringela grande fatiada em 4
- 4 filés de sardinha
- 1 tomate cortado em rodelas
- 1/2 cebola cortada em rodelas
- 1/2 pimentão verde cortado em tiras
- 1 dente de alho amassado - sal e pimenta a gosto
- suco de 1 limão - 1 xícara (chá) de molho de tomate
- 1/2 xícara (chá) de ricota esfarelada
- 2 colheres (sopa) de salsinha picada
- 1 colher (chá) de noz moscada ralada
Modo de Preparo
Deixe as fatias de beringela, com casca, de molho por 30 minutos em água com a metade do o suco de limão. Tempere os filés de sardinha com alho, sal, pimenta e o restante do limão. Arrume em um refratário, metade do molho de tomate, 2 beringelas, os filés de sardinha temperados, o tomate cortado em rodelas, o pimentão, a cebola, metade da salsinha, mais duas fatias de beringela, o restante do molho e por último a ricota. Polvilhe com a noz moscada e cubra o refratário com papel alumínio. Leve ao forno por 15 minutos em forno médio e pré-aquecido. Retire o papel e deixe dourar. Depois de dourado, salpique o restante da salsinha.
Eu por mim continuo a preferir o pão na bela da sardinha.
31 julho, 2006
Receita típica da Patagónia
Salmón a la Mantequilla (Salmão na Manteiga) Origem: Comedor El Cristal - Puerto Natales – Chile
Ingredientes:
filete de salmão
manteiga
sumo de limão
sal e pimenta preta moída na hora
Modo de Preparo:
1. Embrulhe os filetes de salmão em papel de alumínio, individualmente, junto com o sumo de limão, a pimenta e o sal, cobrindo com manteiga;
2. Asse por 15 minutos em forno alto;
3. Sirva nos pratos individuais ainda coberto com o papel alumínio e junto com pedaços de limão.
4. A receita é muito fácil de preparar e um filete inteiro de salmão serve muito bem duas pessoas.
Ingredientes:
filete de salmão
manteiga
sumo de limão
sal e pimenta preta moída na hora
Modo de Preparo:
1. Embrulhe os filetes de salmão em papel de alumínio, individualmente, junto com o sumo de limão, a pimenta e o sal, cobrindo com manteiga;
2. Asse por 15 minutos em forno alto;
3. Sirva nos pratos individuais ainda coberto com o papel alumínio e junto com pedaços de limão.
4. A receita é muito fácil de preparar e um filete inteiro de salmão serve muito bem duas pessoas.
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