06 novembro, 2007

Precisa-se dicionário

Podia repetir, devagarinho:

- détentes
- Litania laudatória
- ámenes
- piedopatrióticas


Gosto disto.

A propósito,

"Era nos idos da década de setenta, e Portugal amarcelado não conseguia convencer-se de que não fora apenas a cadeira a falhar o seu dever de se apresentar ao traseiro de Salazar, era o Império todo que não tinha mais assento."

In Aventuras de um Nabogador

Recentemente tem surgido programas que falam da década de 70 e que me parecem muito interessantes.

Na ficção a série Conta-me como foi, que passa ao Domingo na RTP1, retrata o Portugal da década de 70, a cena da queda da cadeira de Salazar não faltou, tal como muitos factos importantes. Mas o que mais gosto neste programa é ver como era a vida de uma família da classe média naqueles tempos, sem fazerem juízos de valor, apenas mostram como se vivia na ditadura.

Em formato de documentário, com a autoria de Joaquim Furtado, A guerra uma série de episódios que nos contam o que se passou em África, dá-nos os vários pontos de vista. Tenho aprendido bastante com este programa.

A nossa história tem muito para contar e dava uns bons filme ou séries de ficção, pode ser que isto seja só um começo.

Frases soltas

Este livro está cheio de frases ou expressões que nos divertem, alertam ou simplesmente nos deixam a pensar, tais como:
"E só em Hollywood é que as tragédias acabam bem."
In Aventuras de um Nabogador

O museu


Temos feito os nosso encontros na cafetaria do Museu Nacional do Teatro. Apesar de a zona onde fica o Museu não ser das que gosto mais, este espaço conquistou-me. O Museu é lindo, assim como os jardins que o rodeiam, a cafetaria é simpática e as pessoas que lá trabalharam também não ficam atrás. Por essas razões todas, no Domingo lá estaremos.


A propósito, já acabei as Aventuras de um Nabogador. Professor Pardal foste aprovado, podes começar a sugerir mais livros.


Boas leituras.

05 novembro, 2007

Confirmações

O encontro é no próximo Domingo, 11 de Novembro, às 11 horas na cafetaria do Museu do Teatro. O escritor vai estar presente.
São todos bem vindos, mesmo quem não acabou de ler o livro.
Até lá, boas leituras.

03 novembro, 2007

Aos Comandos do Destino ...



«Trata-se de uma biografia do piloto do avião charter que, transportando quase 300 passageiros de Toronto para Lisboa, se deparou sem combustível sobre o Atlântico.»

Aventuras de um Nabogador, p. 99

Para saber mais sobre Robert Piché, aqui.

02 novembro, 2007

Alteração


O encontro passou para o dia 11 de Novembro no Museu do Teatro, estará presente o autor Onésimo Teotónio. A hora ainda está sujeita a confirmação. Mais uma vez relembro que mesmo quem não tenha lido o livro é sempre bem vindo.
Boas leituras.

01 novembro, 2007

Quem não tem medo de viajar de avião?

TESTAMENTO

Vou partir de avião

e o medo das alturas misturado comigo

faz-me tomar calmantes

e ter sonhos confusos



Se eu morrer

quero que a minha filha não se esqueça de mim

que alguém lhe cante mesmo com voz desafinada

e que lhe ofereçam fantasia

mais que um horário certo

ou uma cama bem feita



Dêem-lhe amor e ver

dentro das coisas

sonhar com sóis azuis e céus brilhantes

em vez de lhe ensinarem contas de somar

e a descascar batatas



Preparem a minha filha

para a vida

se eu morrer de avião

e ficar despegada do meu corpo

e for átomo livre lá no céu



Que se lembre de mim

a minha filha

e mais tarde que diga à sua filha

que eu voei lá no céu

e fui contentamento deslumbrado

ao ver na sua casa as contas de somar erradas

e as batatas no saco esquecidas

e íntegras



ANA LUÍSA AMARAL, Minha Senhora de Quê, Quetzal Editores, Lisboa, 1999: 61, 62

31 outubro, 2007

Dolly ...

Dolly, aluna ninfomaníaca na universidade de Santa Bárbara na California. Giovanni um Don Juan que caiu nas garras da estranha Margo e dos assédios da sua mãe.

Tudo muda quando Giovanni e Dolly se encontram ... A crónica de Dolly, a ninfomaníaca que atribui pontuação às suas conquistas e que delas se gaba, parece mesmo história de filme.

Será que o escritor se encontrou na realidade com estas personagens? Factos reais? Ou pura ficção?

O café ...

Na página 53 e 54 do Livro, Onésimo fala-nos de uma aluna sua, entre outras coisas, diz-nos:

«Nas férias da Primavera (o Spring Break) foi ao Havai ver a família e quis trazer-me uma lembrança da terra. Entregou-ma com tímida delicadez. A praxe mandava-me abrir o mimo. Era um saquinho do mais famoso café das suas ilhas, éden de postal. Sorri-lhe de agradecimento, mas reprimi por completo a figura de Freud a comprazer-se na ambiguidade da cena acaso a presenciasse. Não. Quase juro que a moça não sabe nada de português, que o código semântico foi pura coincidência e de modo algum senha cifrada. (Para os leitores que desconhecem a marca do dito café: rima com Dona mas escreve-se com K. (...))»

Aventuras de um Nabogador, p. 54.

Para saber do dito café, aqui.

Condicionalismos da leitura ...

«Será lícito ponderar se a nossa reacção a uma obra não terá que ver com a disposição com que se a lê. Se assim é, coitados dos autores vítimas dos nossos condicionalismos físicos e psicológicos.»
Aventuras de um Nabogador, P. 50

30 outubro, 2007

Regra pessoal de leitura

«Ao longo dos anos formulei uma regra pessoal de leitura que, como qualquer outra, tem as suas excepções: um livro de ensaio agarro-o cheio de entusiasmo e vou-o perdendo pelo caminho, muitas vezes bem antes do fim. Um romance, começo com imensa dificuldade e, depois de mergulhar no cenário, não descanso enquanto não aterro no desenlace. (...) Outra regra concomitante: o ensaio interrompe-se e retoma-se a qualquer momento. O romance requer leitura ininterrupta. (...) Falta-me ainda mencionar uma última regra pessoal: romance que não me tem fisgado por volta da página 70 não me vale o esforço de prosseguir na sua leitura.»
Aventuras de um Nabogador, p. 49

Será que todos nós temos alguma regra pessoal de leitura? Hoje ao jantar coloquei esta questão. Que regras usamos nas nossas leituras ou nas escolha das leituras que fazemos? Como escolhemos os livros que lemos?

Concordo com o Onésimo Teotónio Almeida quando afirma que se um romance não o "agarra" nas primeiras páginas, é porque a partir daí dificilmente o fará. Já nos aconteceu a todos, não é verdade? Ou a escrita é maçuda, ou há qualquer coisa na história que não desenvolve e o livro é rapidamente substituído por outro. Não concordam? Nunca insisto, a não ser por razões profissionais, num livro que não me dê prazer na leitura.

Nos meus hábitos de leitura, tenho me apercebido que há livros e, consequentemente, alguns autores que só procuro ler em determinadas alturas do ano, ou melhor há autores, que exigem mais concentração (mais paciência!) ou um determinado estado de espírito, que não leio, por exemplo, nas férias de Verão.

As minhas leituras são sempre acompanhadas de um lápis (o que irrita algumas pessoas!) e de um pequeno bloco de notas que, às vezes, só serve para anotar uma ou outra palavra que não conheço ou alguma referência que quero explorar.

- Como é que escolhemos os livros que lemos?

Nos últimos tempos, tenho-me mantido leitora fiel a alguns autores, sobretudo nacionais, um exemplo é Richard Zimler. Todos os romances que tem publicado eu tenho lido. Algumas das escolhas são feitas através de influências. Alguém que leu, fala do livro e acaba por me abrir o apetite para a leitura. Ou os apontamentos sobre livros nos blogues que visito. Raramente compro um livro apenas pela capa ou pelo título. Mas já aconteceu!

Outras obras de Onésimo Teotónio Almeida ...

- Da Vida Quotidiana na LUSAlândia (1975)

- Ah! Mònim dum Corisco! (1978)

- (Sapa)teia Americana (1983)

- No Seio Desse Amargo Mar (1993)

- Que Nome É Esse, ó Nézimo? - e Outros Advérbios de Dúvida (1994)

- Rio Atlântico (1997 )

- A Questão da Literatura Açoriana (1983)

- Da Literatura Açoriana. Subsídios para Um Balanço (1986)

- Mensagem - Uma Tentativa de Reinterpretação (1987)

- L(USA)lândia, a Décima Ilha (1988)

- Açores, Açorianos, Açorianidade (1989)

- Viagens na Minha Era (2001)

- Onze Prosemas (e um final merencório) (2004)

- Livro-me do Desassossego (2006)

29 outubro, 2007

Bom Dia

No À Volta das Letras, este mês, estamos a ler:

Bom-dia e boas leituras!

Para quem ainda não começou, aviso desde já que este livro é um livro de crónicas, por sinal, com estórias muito bem dispostas.

28 outubro, 2007

Literatura de viagens

«Há dias em que uma pessoa não deve sair à rua. (...) Só que nunca a tinha visto tão honrosamente tratada como em título de antologia, no caso, literatura de viagens: I Should Have Stayed Home. (...)»

Aqui está um título interessante para um livro de viagens! Atenção são as piores viagens de grandes escritores. Reunir num livro as piores viagens de grandes escritores parece-me uma ideia com piada e simultaneamente estranha!

Onésimo faz as seguintes referências à literatura de viagens nacional:

- História Trágico-Marítima;

- A Holanda de Ramalho Ortigão;

- As Ilhas Desconhecidas de Raul Brandão;

- Descobri Que Era Europeia de Natália Correia;

- A Baía dos Tigres de Pedro Rosa Mendes.

Na minha opinião, a nossa literatura de viagens está pouco desenvolvida. Vejam-se as estantes das livrarias. Que espaço é reservado a esta temática? Por exemplo, em Inglaterra há livrarias dedicadas à literatura de viagens. Por cá, pelo que sei, há muito poucas livrarias temáticas. Estou-me a lembrar de livrarias dedicadas à literatura-infantil e, por exemplo, a Garfos & Letras (dedicada à gastronomia) e pouco mais. Conhecem mais alguma?

A esta lista referida pelo Onésimo Teotónio Almeida, acrescentaria mais um autor, o Gonçalo Cadilhe, que através das suas crónicas semanais no jornal Expresso vai relatando de forma ímpar as suas viagens. Crónicas que têm sido transformadas em livros, um dos quais lido aqui no À Volta das Letras e que desperta o bichinho das viagens em muita gente.

Neste verão, foram publicados dois livros de viagens de autores portugueses que gostei de descobrir:

- Alma de Viajante de Filipe Morato Gomes;

- Viagens Sentimentais de Tiago Salazar.

Há dias em que realmente não devemos sair de casa, mas ainda bem que esses dias são em menor número do que aqueles nos quais podemos e devemos sair e abrir horizontes, mais não seja lendo!

O que se diz sobre o livro ...

Aventuras de um Nabogador, por Carlos Fiolhais no De Rerum Natura.

Aventuras de um Nabogador & outras estórias-em-sanduíche , por Fernando Cruz Gomes

Quem é o Onésimo Teotónio de Almeida?