08 novembro, 2006

A relação entre novos e velhos ...

«Naquele ano coube a Martinho Dias Nabasco acompanhar o que restava duma família numerosa e abastada, ao cemitério da terra natal. Ainda havia muitos descendentes no estrangeiro, mas a casa em que se reuniam objectos e memórias mais presentes estava praticamente desabitada. Com o mau humor que caracteriza os jovens ao ter que proteger publicamente os velhos (...)»
in A Ronda da Noite, P. 7

As nossas relações com os outros envolvem um turbilhão de sentimentos e ideias. Mas com os mais velhos, essa relação vai tendo ao longo da nossa vida diferentes níveis. Em criança, os avós são o oposto dos pais, deixam-nos fazer coisas que às vezes os pais não deixam, são companheiros de algumas brincadeiras. Na adolescência a coisa muda um pouco de figura. Acho que chegam a ser postos um pouco de lado perante a necessidade de afirmação dos jovens.

Agustina refere o mau humor de Martinho a ter que ajudar publicamente a avó. O ser visto com os velhos cria um mau estar perante os outros. Um mau estar social, como que se quem precisasse de ajuda é quem está a ajudar ou, como se aquela ajuda fosse uma forma de menorização, uma certa vergonha, perante os outros.

Acho que nos voltamos a "reconciliar" com a velhice quando crescemos interiormente, quando percebemos que não vamos mudar o mundo e que o envelhecer é um processo que todos acompanhamos.

3 comentários:

totoia disse...

O meu avô é a memória mais querida da minha infância, tinha o maior orgulho de passear com ele. Qd tirei a carta foi a primeira pessoa que visitei com o meu carro. Por isso a minha relação com os mais velhos foi sempre de um grande carinho, respeito e admiração. Quando vou nos transportes públicos fico smepre indignada ao ver como os idosos são mal tratados, é uma vergonha!

sandra n. disse...

Eu tenho muitas saudades dos meus avôs, tenho uma memória muito presente dos momentos que vivi junto a eles, mas sei que fiz muito pouco, e principalmente arrependo-me das vezes que não tinha paciência para os queixumes da minha avó, já na sua fase terminal, e como me arrependo...
Agora já nada posso fazer, no entanto espero que tenha mais paciência com os meus pais!
Eu, e todos nós, porque um dia também seremos velhos (se Deus quizer)...

Sandra B. disse...

Eu nunca me hei-de esquecer dos meus avós e da minha bisavó que ficou comigo até aos 6 anos de idade,tenho pena de não ter aproveitado (devidamente) quando era adolescente os últimos tempos da vida dela!

Lamento que as pessoas não aproveitem a grande virtude dos idosos: a sabedoria e também constato que cada vez mais os idosos são desprezados pela nossa sociedade, o que sinceramente acho desprezivel!!!