17 fevereiro, 2011

Crime e Castigo - Desafio Refúgio dos Livros

No mês de Janeiro li o Crime e Castigo de Dostoiévski isto porque aceitei o desafio do Refúgio dos Livros e Uma Biblioteca Aberta. Já por várias vezes tinha pensado em ler este livro, tantos autores o citam e o elegem como um dos livros da sua vida ... Percebo porque, a escrita é envolvente, uma verdadeira obra prima. Tive pena que acabasse.

Muito resumido, o livro conta-nos a história de um jovem que comete um duplo homicídio, o que o leva a fazê-lo e como ele lida com a sua culpa é que torna este livro brilhante. As cenas de miséria que o autor nos descreve são de tal forma violentas que em algumas tive mesmo dificuldade em acabar de as ler.

Não quero tirar o brilho a este livro com a minha opinião, é um livro que deve ser lido porque como já referi é uma verdadeira obra prima.

Passou a ser um dos livros da minha vida!

13 janeiro, 2011

A vida em surdina

Nos livros de David Lodge estão sempre presentes um professor universitário e um mulher atraente que acabam por se envolver. O livro A vida em Surdina não fugiu à regra. Desmond, professor universitário a ficar surdo e reformado com um pai problemático, uma mulher bem sucedida conhece uma jovem que lhe pede ajuda para a sua tese de doutoramento. Lodge neste romance explora o medo da velhice, o personagem principal, Desmond sente que a surdez é o principio do fim e a convivência com o seu pai são os pretextos para o autor descrever os sentimentos de um filho perante a decadência do pai.

Gosto muito de Lodge, gosto do seu humor mesmo quando fala de assuntos tão sérios como a velhice ou a surdez precoce. Os trocadilhos que resultam da surdez de Desmond e como ele lida com o seu problema criam momentos hilariantes neste romance.

Boas Leituras!

11 janeiro, 2011

Desafio 2011

O blogue Refúgio dos Livros lançou um desafio literário para 2011. Para cada mês escolheu um tema e nós escolhemos o livro que vamos ler de acordo com a temática do mês depois escrevemos no nosso blogue o que achamos do livro.

Janeiro: Clássico
Fevereiro: Nobel da Literatura
Março: Autor nunca lido
Abril: Livro da Colecção Sábado
Maio: Título com um nome próprio
Junho: Autor Português
Julho: Policial
Agosto: Livro com acção anterior ao século XX ou anterior ao ano 2000
Setembro: Título com país ou cidade
Outubro: Romance Histórico
Novembro: Livro de Haruki Murakami
Dezembro: Livro de Bolso


Aceitei o desafio. Para o mês de Janeiro escolhi o clássico Crime e Castigo de Dostoievski. Agora ando a pensar qual o Nobel que vou escolher. Aceitam-se sugestões.

Boas leituras!

10 janeiro, 2011

Tim de Collen McCullough

A minha ignorância sobre Collen McCullough era tanta que julgava que a autora era um homem. Quando me sugeriram este livro requisitei-o de imediato. Gosto sempre de ler o que me sugerem principalmente quando a pessoa tem os mesmo gostos literários que eu. Fiquei com vontade de ler mais desta autora. Tim é uma história de amor quase impossível. Uma quarentona encalhada e um deficiente que se vão aproximando de uma forma muito inocente. Gostei de ler o livro, mas como já referi quero ler mais de Collen McCullough não chega um livro para formar opinião sobre uma autora.

Boas leituras!

09 janeiro, 2011

Leituras 2010

À semelhança do que fez a Laranjinha e em jeito de balanço deixo aqui a lista dos livros que li em 2010.

- Um encontro perigoso de Ernst Junger;
- Homem Invisível de Paul Auster;
- Sunset Park de Paul Auster;
- Tim de Collen MacCullough;
- Um cavalo em fuga de Martim Walser;
- História Secreta de Donna Tarrtt;
- Orgulho e Preconceito de Jane Austen;
- Deus das Pequenas Coisas de Arundati Roy;
- Espuma dos Dias de Boris Vian;
- 1984 de George Orwell;
- fábrica de fazer espanhóis de valter hugo mãe;
- Homem na Escuridão de Paul Auster;
- Fúria Divina de José Rodrigues dos Santos;
- Os homens que odeiam as mulheres de Stieg Larsson;
- A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e com um fósforo de Stieg Larsson;
- A rainha de gelo no palácio das correntes de ar de Stieg Larsson;
- Gueto de Varsóvia de Richard Zimler;
- O mundo é pequeno de David Lodge;
- Jesusalém de Mia Couto;
- Jerusalém de Gonçalo M. Tavares;
- Amar de Novo de Doris Lessing;
- Um bom homem é difícil de encontrar de Flannery o' Connor;
- Cidadela Branca de Orhan Pamuk;
- Leviathan de Paul Auster;
- 24 horas na vida de um mulher de Stefan Zweig.

Boas Leituras!!

Sunset Park de Paul Auster

Gosto de Paul Auster! Principalmente das suas personagens, sempre diferentes, problemáticas, complexas. Sunset Park não foge à regra, uma história que gira à volta de um jovem que foge da sua vida e que com mais três jovens partilham uma casa abandonada até serem expulsos, um final surpreendente.


Boas leituras!

02 janeiro, 2011

As minhas leituras de 2010 ...

  1. O símbolo perdido, Dan Brown
  2. Orgulho e Preconceito, Jane Austen
  3. O Dilema do Omnívoro, Michael Pollan
  4. 1984, George Orwell
  5. Pela Estrada Fora, Jack Kerouac
  6. Lolita, Vladimir Nabokov
  7. Em defesa da Comida, Michael Pollan
  8. The Butcher and the vegetarian, Tara Austen Weaver
  9. Comer, Orar, Amar, Elizabeth Gilbert
  10. O amante de Lady Chatterley, D. H. Lawrence
  11. Boneca de Luxo, Truman Capote
  12. O senhor Ventura, Miguel Torga
  13. Os Ingredientes do Amor, Nicky Peligrino
  14. A casa da Praia do Açúcar, Helene Cooper
  15. Will Write for Food, Dianne Jacob
  16. Sapatos de Rebuçado, Joanne Harris
  17. As pequenas memórias, José Saramago
  18. Vinho Mágico, Joanne Harris
  19. Como água para chocolate, Laura Esquivel
  20. A ideia de Europa, George Steiner
  21. Carpinteiros, levantai alto o pau de fileira e Seymour: Uma Introdução, J.D. Salinger
  22. O testamento do sr. Napomuceno da Silva Araújo, Germano de Almeida
  23. Chocolate, Joanne Harris

Feliz Ano Novo e Boas Leituras!

30 outubro, 2010

Um cavalo em fuga de Martin Walser


Um cavalo em fuga, o título foi retirado de um dos diálogos entre os protagonistas e representa a condição em que um deles vive. O livro retrata o encontro (não programado) de dois casais de meia idade num destino de férias. Os homens conheciam-se desde o tempo de escola e embora que aparentemente não tenham nada a ver um com outro, serem homens muito diferentes com o desenrolar da história percebemos que são muito parecidos. A preocupação com o manter das aparências é o tema deste livro.

Sobre o autor:

Martin Walser nasceu no ano de 1927, em Wasserburg (Bodensee) e habita hoje em Nussdorf (Bodensee). É um dos mais importantes ficcionistas contemporâneos da Alemanha, onde é tão conhecido e celebrado como Gunter Grass, Henrich Boll ou Siegfried Lenz. De entre as suas múltiplas obras, destacam-se os seguintes livros traduzidos para português: Dorle e Wolf, um Amor Alemão.

Fonte: Editora Publicações Dom Quixote



29 outubro, 2010

Próximas leituras:

- Um Encontro Perigoso de Ernst Junger;
- Invisível de Paul Auster;
- Terra Sonâmbula de Mia Couto.

Boas leituras!

28 outubro, 2010

Nos próximos meses,

não vamos reunir como habitualmente faziamos. No entanto vamos continuar a partilhar as nossas leituras no blogue. Assim que for possível recomeçar as nossas tertúlias literárias, avisaremos com a devida antecedência.

Até lá boas leituras!

25 outubro, 2010

Leviathan de Paul Auster


Paul Auster e as suas habituais coincidências fazem deste livro uma leitura viciante. Conta-nos a história de dois amigos, (ambos escritores) da sua amizade, da confiança, dos acasos da vida. A pretexto de contar toda a verdade sobre o seu amigo Ben, Peter fala-nos dos últimos quinze anos das suas vidas. 

Boas leituras!

20 outubro, 2010

24 Horas da Vida de uma Mulher de Stefan Zweig


Acabo de descobrir este autor. Já tinha ouvido falar dele mas nunca tinha lido nada nem tinha grande vontade de o fazer. Ao passear pelas estantes da biblioteca, encontrei este livro, pequeno e com um título que me agradou. Não me desiludi, fiquei com muita vontade de ler mais algumas coisas. A história é simples mas bem contada, fala das 24 horas da vida de uma mulher (tal como refere o título) e das implicações que isso teve na sua vida. 

Gostei! Boas leituras....

23 junho, 2010

Personagens...

O autor entra a matar. Parece que entramos no meio de uma sala onde toda a gente se conhece e só ouvimos os nomes e tentamos adivinhar quem é quem. Espero conseguir organizar estes personagens, até agora já encontrei:

- T.P.
- Roskus
- Quentin
- Luster
- Frony
- Dilsey (empregada da casa)
- Versh
- Benjy
- Caddy
- Jason
- Tio Maury
- Caroline
- o Pai

Acho que por agora só conhecei estes.

Boas leituras.

22 junho, 2010

Crítica literária em "Orgia Literária"

Escrito em 1928 e publicado no ano seguinte, O Som e a Fúria narra a decadência da família Compson de Jefferson, Mississipi. Uma decadência que é também a do próprio Sul dos Estados Unidos, pós guerra civil. Pois uma das forças da escrita de Faulkner é o facto de ao descrever uma situação, por mais prosaica que seja, existir sempre uma ressonância que está para lá do objecto concreto e entra no domínio do simbólico, isto é, as coisas, os lugares, as pessoas, são eles mas ao mesmo tempo são mais do que eles. Quando Benjy chora não é só ele que chora mas todo o ser humano.


Agora esteja caladinho – dizia ela, afagando-lhe a cabeça. – Esteja caladinho. A Dilsey está ao pé de si. – Mas ele chorava de mansinho, inconsolável, sem verter lágrimas; era o lamento desesperado e mudo de toda a miséria existente à face da terra.

Podemos encontrar esta mesma transcendência quase bíblica em Shakespeare e Melville, duas grandes influências para Faulkner e num escritor herdeiro deste, Cormac McCarthy.
A família Compson é composta pelo pai, Jason; pela mãe, Caroline e por quatro irmãos, Candy, Quentin, Jason e Benjy. Há ainda o tio Maury e a filha de Candy, também chamada Quentin. Os nomes são muito importantes em Faulkner e revestem-se de um significado especial, como uma herança que passa de geração para geração. Sintomático dessa importância é a mudança de nome do filho mais novo, Benjy. Inicialmente ele tinha o nome de Maury, como o tio, mas quando se descobre que ele nasceu com um atraso mental que lhe afecta a fala, dão-lhe o nome bíblico de Benjamin, como se quisessem, com essa acção, desfazer a linha de continuidade entre tio e sobrinho que a semelhança do nome consagrava e, com isso, separar simbolicamente Benjy da família. Não é por acaso que a ideia da mudança do nome vem da mãe, a personagem que está mais presa à herança genealógica da família.

Outra família acompanha os Compson ao longo do livro e funciona, de uma certa maneira, como o seu reflexo. É a família de negros que servem os Compson e cuja matriarca, Dilsey, é testemunha eterna da degradação dos brancos. Como ela diz no final, em jeito de revelação: “Vi o começo e agora vejo o fim.”

O romance divide-se em quatro capítulos, sendo os três primeiros narrados, respectivamente, por Benjy, Quentin e Jason; o último tem uma narração na terceira pessoa. Cada capítulo corresponde a um dia específico da vida das personagens, no entanto, através da moderna técnica literária da ‘corrente da consciência’, que Faulkner maneja com mestria, vários tempos se cruzam na narração ao sabor caótico dos pensamentos, emoções, memórias e obsessões dos narradores.

A família, o tempo, a fatalidade são os grandes temas de O Som e a Fúria. Em tempos uma família influente, a família Compson acaba desfeita pelo egoísmo, orgulho, ódio e ressentimento. No entanto existe lugar neste livro para o amor. Ele surge-nos essencialmente na extraordinária figura de Candy, uma personagem que apesar de só surgir em recordações alheias domina o romance. O amor que ela espalha e que perdura muito depois de deixar a família contrasta com o egoísmo da mãe e o ódio do irmão Jason. As saudades que Benjy sente dela são dos momentos mais tocantes. Vemo-la, ou melhor, percepcionamo-la como por entre um nevoeiro, a passar de criança a mulher e aprendemos a admirar-lhe o espírito, a coragem, o sacrifício. A sua saída de casa é prenúncio do fim.

O Som e a Fúria é um livro que requer uma certa predisposição do leitor. Não é um livro de leitura fácil nem a narrativa nos surge de um modo linear. Faulkner não facilita, atira-nos logo para o meio da história sem nos dar nenhuma informação prévia. O leitor passa a ser então uma espécie de detective apanhando pistas aqui e ali, juntando os fragmentos, montando o puzzle e aos poucos vai conseguindo extrair o significado do texto. Personagens e acontecimentos aparecem no início desfocados, envoltos em sombras, para a pouco e pouco irem tomando forma. O génio de Faulkner está no facto deste esforço não ser cansativo mas sim altamente recompensador e estimulante. O último capítulo revela o que até aí tínhamos apenas intuído. 

Durante os primeiros capítulos o leitor habita a cabeça de três pessoas completamente diferentes, de repente o mundo alarga-se e as formas aparecem com toda a nitidez.
O início é soberbo e está só ao alcance dos melhores. Benjy é um idiota cujo relacionamento com o mundo se faz sobretudo através de sensações: as cores; as luzes; o cheiro das árvores; o som da chuva. Aos trinta e três anos tem a idade mental de três. Com outro escritor talvez a identificação com uma personagem como esta fosse difícil. Mas não com Faulkner. Não só o leitor sente profundamente todo o sofrimento de Benjy como se fosse seu mas também ganha uma outra compreensão para as pessoas com este tipo de deficiência. É que por umas páginas nós somos essas pessoas. Nós sentimos como é ficarmos parados no tempo, sempre os mesmos, enquanto tudo à nossa volta se desenvolve, transforma e decai sem termos consciência disso. No extremo oposto a Benjy está Jason, um poço de ódio, egoísmo e ressentimento sem disfarces. Cru na sua maldade, medíocre na sua frustração, impotente na sua raiva.

Para terminar, uma palavra para a nota introdutória, desta edição, da autoria de António Lobo Antunes. Apesar de pequena ela é importante porque fornece pistas na abordagem ao texto que são essenciais para uma entrada mais suave no livro. Como diz Lobo Antunes: “O Som e a Fúria possui a qualidade de ser um romance que, tal como a grande poesia, se relê no maravilhamento da descoberta: a todo o passo damos com pormenores que nos haviam passado despercebidos, em cada página nos emocionamos.”