20 março, 2007

Rui Cardoso Martins


O nosso autor nasceu no Alentejo - Portalegre, formado em comunicação social pela Universidade Nova de Lisboa. Foi um dos fundadores do Público, onde ainda escreve a crónica "Levante-se o réu". Enquanto jornalista cobriu alguns momentos importantes da nossa história, como o cerco de Sarajevo, a guerra da Bósnia e as primeiras eleições livres na África do Sul.
Fundador das Produções Ficticias, co-criador do Contra-Informação, onde escreve desdo o 1º episódio. Ainda no registo humorístico escreveu para o Herman Enciclopédia, Conversa da Treta e para o Inimigo Público. Escreveu para o cinema o argumento do filme Zona J.
Fonte: Informação recolhida da contra capa do livro.

1ª Frase

" A praga de mimosa chegara e trouxe novos esconderijos à serra, buracos entre as flores onde cabe, por exemplo, o cadáver de um homem."

In E se eu gostasse muito de morrer de Rui Cardoso Martins.

Aperitivo

"Na confusão do mundo, um rapaz sobe a rua. O Interior é igual em toda a parte.
Mas hoje vai mudar. Ele traz um segredo terrível guardado no bolso no kispo. Faz calor na província dos suicidas. Dá vontade de rir: uma cidade em que o coveiro se mata... São estatísticas, tudo em números. Na Internet, há sexo e doidos japoneses e americanos para conversar em directo. No campo, granadas e ervas venenosas. No prédio, um jovem assassino toca orgão.
O space-shuttle leva cortiça do Alentejo para o Espaço. O Bispo viu o maior massacre da guerra de África e calou-se.
Mas hoje vai responder. Os factos verdadeiros são os piores.
O amor do rapaz rebentou.
Que responsabilidade temos quando nada fizemos?
Em que fado parámos, onde fica Portugal?"

Retirado da contra-capa do livro "E se eu gostasse muito de morrer".

Suicídio no Alentejo tem taxa mais alta do mundo

O livro que vamos ler aborda este assunto suicídio no Alentejo, não deve ser um tema que nos passe ao lado, por isso quando li este título senti a obrigação de fazer um link para a noticia que li. A mim deixou-me a pensar.
Ler aqui.

18 março, 2007

Crónica de José Francisco Viegas do JN

Os nossos estudantes


A Brown University, aliás, é um exemplo traumático. As bibliotecas enchem-se depois das oito da noite, após o jantar. À meia-noite podem consultar-se microfilmes ou assistir a reuniões de grupos de trabalho na área das ciências. Na quinta-feira passada fui convidado para jantar com um grupo de alunos no Faculty Club da Brown; às dez da noite pediram desculpa mas tinham de retirar-se - havia trabalho para fazer e era preciso aproveitar a biblioteca até mais tarde.
No dia seguinte, ao meio-dia, estavam na minha conferência e tinham lido textos entretanto sugeridos. Encontrei-os ao fim da tarde numa das bibliotecas de humanidades a requisitar livros para o fim-de-semana, se bem que a sexta-feira à noite começava com uma aula de ginástica ou um jogo de futebol nos terrenos da universidade.
Sim, eram alunos de letras mas fazem desporto na universidade. Longe vão os tempos em que Raul Miguel Rosado Fernandes, homem das letras clássicas, à frente de um grupo da Faculdade de Letras de Lisboa, se sagrou campeão nacional de remo, derrotando inclusive a equipa da Escola Naval. Quem quiser comparar os alunos da época com os de hoje, há-de perceber como eles se tornaram menos leitores, menos saudáveis e mais doentios.

Em Portugal inventamos muitas desculpas e desvalorizamos os relatórios que dão conta da preguiça congénita dos nossos universitários. As excepções, valiosas, têm o aspecto de uma explosão que há-de ser contrariada pelo ambiente da própria universidade corredores sujos, grafitis nas paredes, os poucos relvados desertos, as bibliotecas pouco utilizadas para investigar.
Contei isto a alguns amigos. Falei-lhes do sistema de empréstimo de livros, do ritmo de leitura, das livrarias cheias no centro de Providence, das actividades extracurriculares, do facto de os alunos dos estudos Portugueses e Brasileiros terem lido Eça ( 3 a 4 livros), Camilo, Machado, Cesário, Camões e de saberem bastante de literatura portuguesa e brasileira contemporânea (não "por ouvir dizer" mas por "ler"). E de os debates nas aulas serem aguerridos, ricos, mostrando leitura e preparação. Disseram-me que eu estava muito americanizado embora eu me limitasse a mostrar-lhes os resultados do inquérito sobre a Universidade de Coimbra, onde se vê - como escrevi - o retrato da miséria escolar e da miséria cultural.

Basta comparar. Basta estar atento. Basta ler os sinais desta pobre falta de curiosidade portuguesa. Pobre país que tanto precisa de punir a pequena "nomenklatura" preguiçosa.
Enviado via e-mail por Ana Filipa.
Acho que esta crónica faz um retrato muito próximo do que são hoje a maioria dos nossos estudantes, ainda que não esteja de alguma forma ligada ao livro que lemos ou iremos ler, pensei ser interessante colocá-la neste espaço, visto que o Á Volta das Letras também se preocupa com o que se passa no mundo para além dos livros.

Estivemos lá!


Hoje foi o nosso encontro. Falou-se de muitas coisas. Ficou no ar a ideia de fazermos umas caminhadas, talvez inspirados pela travessia da Ponte 25 de Abril. Cinema, exposições, projectos pessoais, opiniões sobre programas de televisão, blogues e claro Longe de Manaus foram alguns tópicos da conversa.

Decidimos estabelecer um local fixo para os encontros, a cafetaria do Museu de Arte Antiga, assim não há enganos.

O próximo encontro é no dia 22 de Abril o livro escolhido foi E Se Eu GostasseMuito De Morrer de Rui Cardoso Martins.

Boas leituras!

P.S: Minerva e Laranjinha a máquina ficou uma vez mais na mala, para a próxima lembrem-me.

17 março, 2007

Alteração de última hora

A cafetaria do Museu de Arte Antiga está em obras. Como tal, o encontro de amanhã do À Volta da Letras realiza-se na Cafetaria do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian às 10h30. O grupo é fácil de identificar, terá em cima da mesa o livro de Francisco José Viegas "Longe de Manaus".
Apareçam e bebam um café connosco!

Última hora

Como já foi aqui dito num dos posts atrás, o encontro do À Volta das Letras é amanhã, mas ao contrário do que se tinha falado o encontro não vai ser na Casa Fernando Pessoa mas sim e mais um vez no Museu de Arte Antiga.
Por isso amanhã lá estámos na cafetaria do Museu às 10h30, combinado?

16 março, 2007

Bibliotecárias sensuais! Gosto da expressão.


Juízas e bibliotecárias, duas categorias sensuais. Bibliotecárias de traseiros amadurecidos, sentadas, a preencherem fichas bibliográficas, verões silenciosos entre estantes de monografias regionais, estudos sobre a indústria local, sobre artesanato (...) mas sentadas durante dias inteiros, moldando rabos que iam amadurecendo de mês para mês, ele costumava olhá-los, sim.”
Sentadas durante dias inteiros é que já não é bem assim, o melhor é voltar a olhar para uma bibliotecária e ver como as coisas mudaram.

Gostos


O homem que foi assassinado gostava de ler e tinha uns gostos muito dispersos senão reparem, na sua mesa de cabeceira tinha:

- Agatha Christie
- Paulo Coelho
- Erle Stanley Gardner

Também quero

“Este ano tinha conseguido trinta e oito dias de férias, juntando folgas em atraso e feriados não gozados – e trinta e oito dias deviam ser vividos no Mindelo, a beber cerveja e grogue...”
38 dias de férias!! Já me contentava com uma semanita!

15 março, 2007

É já neste Domingo....

Pois é, anda tudo meio distraído, já percebi. Já se deram conta que o encontro é já neste Domingo??
Por isso anotem nas agendas, telemóveis, post-it, outlook... onde der mais jeito. Próximo encontro dia 18/03 às 10h30, na casa Fernando Pessoa.

08 março, 2007

Machu Pichu


" Ele queria fazê-la feliz e prometia férias na Bolívia ou no Peru, iriam no tren de la muerte, se o tren de la morte fosse até Machu Pichu, iriam de mochilas e de chapéus..."
Um paraíso perdido na terra. Digam lá que não era uma boa prenda para o Dia da Mulher?

01 março, 2007

Rosa

(Edward Hopper, Morning Sun)

A Rosa de Longe de Manaus lembra-me uma das mulheres representadas por Hopper nas suas pinturas. No livro o inspector tem uma reprodução do pintor na sua sala. Será que foi propositado, será que Francisco José Viegas também se inspirou nas mulhers de Hopper para construir a Rosa?