02 janeiro, 2007

Impressões de leitura ...

Ainda não passei as primeiras trinta páginas de A lenda de Martim Regos, mas apetece-me partilhar, aqui, convosco algumas impressões de leitura.

Martim Regos a mando de Bento Garcia vai espiando o povo e denunciando quem faz sabão em casa. Quem detinha o monopólio de todas as saboarias do reino era o Infante D. Henrique. Porquê? Alguém sabe explicar porque motivo o sabão era um bem proibido de fazer e vender por particulares, mesmo que para seu uso pessoal?

A roda dos enjeitados. Quando nascia uma criança indesejada era deixada na roda dos enjeitados. Esta roda estava normalmente nos conventos, acho que não existia nas igrejas e permitia deixar a criança sem a pessoa ser identificada. Era uma solução para quem não queria ou pelas mais diversas razões não podia criar uma criança. O destino destas crianças, na grande maioria das vezes, era a vida do convento.

Sobre a investida da Madre ao nosso Martim Regos (P. 26 e 27), quando esta lhe explica como é que a alma está repartida em três partes, não pude de deixar de me lembrar do filme O Decameron, de Pier Paolo Pasolini, e o episódio de um jovem que é aceite num convento para trabalhar e todas as peripécias com as freiras que daí advêm. Vi este filme já há uns bons anos e lembro-me de quase não acreditar no que estava a ver. Fartei-me de rir. Mas o melhor é verem o filme.

Martim Regos ...

Nasce, em 1453, em Torres Novas. Queria ser "santo e muito abençoado pela Santa Madre Igreja e venerado por toda a cristandade".

A mãe, como não tem condições para o criar, deixa-o em casa de um senhor de seu nome Bento Garcia. Martim Regos tinha mais oito ou nove irmãos.

Penso que até sensivelmente à II Guerra Mundial era comum os casais terem mais do que dois filhos. A partir dessa altura, outras preocupações surgiram e cada vez mais as pessoas pensam antes de ter filhos.

Estamos a ler ....

A Lenda de Martim Regos de Pedro Canais.

27 dezembro, 2006

Mar da Galileia


"Nesse tempo Jesus ainda se não afastara da Galileia e das doces, luminosas margens do lago de Tiberíade: – mas a nova dos seus Milagres penetrara já até Enganim, cidade rica, de muralhas fortes, entre olivais e vinhedos, no país de Issacar."

In Suave Milagre, Eça de Queirós.

18 dezembro, 2006

A Biblioteca


"A biblioteca, que em duas salas, amplas e claras como praças, forrava as paredes, inteiramente, desde os tapetes de Caramânia até ao tecto de onde alternadamente, através de cristais, o sol e a electricidade vertiam uma luz estudiosa e calma - continha vinte e cinco mil volumes, instalados em ébano, magnificamente revestidos de marroquim escarlate. Só sistemas filosóficos (e com justa prudência, para poupar espaço, o bibliotecário apenas coleccionara os que irreconciliavelmente se contradizem) havia mil oitocentos e dezassete!"
In Civilização, Eça de Queirós
Eu quero uma biblioteca assim!!!!

17 dezembro, 2006

Clássico Orestes


"Não teve sarampo e não teve lombrigas. Nunca padeceu, mesmo na idade em que se lê Balzac e Musset, os tormentos da sensibilidade. Nas suas amizades foi sempre tão feliz como o clássico Orestes."
In Civilização, Eça de Queirós
Uhm... gosto deste Orestes.

A semana do Eça



Esta semana vamos ler o conto de Eça de Queirós Civilização. Na semana seguinte é o Suave Milagre também de Eça, um conto de Natal, tinha de ser, certo?

Quem já leu os contos, sugiro que comece com o Pedro Canais e a Lenda de Martim Regos (sugestão para o mês de Janeiro) é um livro grande, que vai dar luta, está escrito em português do século quinze. Mas o enredo promete.

Boas leituras.

P.S: Ainda não decidimos o local do próximo encontro, espero sugestão vossas.

08 dezembro, 2006

Divertido


Gostei do conto de Mário de Carvalho. Gostei da forma como está escrito. Ainda não li nenhum romance dele mas fiquei com vontade, não sei se repararam mas os títulos das suas obras são sempre extensos e diferentes, aguçam a curiosidade.
Eu compro muitos livros apenas pelo título ou até pela capa, sou um alvo fácil das técnicas de marketing mas não consigo evitar!

Sesta


"0 grande Homero às vezes dormitava, garante Horácio. Outros poetas dão-se a uma sesta, de vez em quando, com prejuízo da toada e da eloquência do discurso. Mas, infelizmente, não são apenas os poetas que se deixam dormitar. Os deuses também."
In A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Mário de Carvalho
Sorte dos Deuses e dos poetas, dormir a sesta é refrescante. Defendo que devia haver dormitórios espalhados pela cidade para a sesta, vinte minutinhos!! Tenho a certeza que ia andar tudo mais calmo.

07 dezembro, 2006

O último encontro foi...

diferente, a nossa conversa começou na cafetaria e acabou em frente ao quadro do Bosch, As Tentações de Santo Antão, pelo meio houve ainda tempo para uma visita guiada à exposição temporária Frei Carlos e o Belo portátil.

Falou-se (como sempre) de tudo um pouco desde cinema a culinária.

Como já devem ter reparado para o mês de Dezembro optámos por ler uns contos, sendo o último de Natal, como não poderia deixar de ser. O próximo encontro será no dia 14 de Janeiro, o local ainda não está decidido, queríamos fazer num sítio que de alguma forma estivesse ligado a Eça de Queirós, aceitam-se sugestões.

Boas leituras.

04 dezembro, 2006

Leituras de Dezembro ...

No mês de Dezembro iremos ler os seguintes quatro contos:

- A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho de Mário de Carvalho

- Marido de Lídia Jorge

- Civilização de Eça de Queirós

- Suave Milagre de Eça de Queirós

01 dezembro, 2006

Post it


O encontro do À Volta das letras é já este Domingo. Desta vez vai ser no Museu Nacional de Arte Antiga às 10h00, o ponto de encontro é na cafetaria.

São todos bem vindos tenham lido ou não o livro.

Apareçam...