23 setembro, 2006
21 setembro, 2006
Petisco de pobre
(imagem retirada do blogue cinco quartos de laranja)"Quando Sete-Sóis chegou a Aldegalega, estava anoitecendo. Comeu umas sardinhas fritas, bebeu uma tigela de vinho, e não lhe chegando o dinheiro para a pousada, tão-só, à escassa, para a passagem de amanhã, meteu-se num telheiro, debaixo de uns carros, e aí dormiu..."
"Baltazar comprou três sardinhas assadas, que, sobre a indespensável fatia de pão, soprando e mordiscando, comeu enquanto caminhava em direcção ao Terreiro do Paço..."
In pág. 26 e 29, Memorial do Convento
A sardinha foi em tempos comida dos pobres, hoje em dia chega-se a pagar dois euros por sardinha no pão na noite de Santo António. Seja pelo preço ou não, a sardinha têm vindo a tornar-se requintada, vejam lá esta receita e digam se não tenho razão.
Lasanha de Beringela com Sardinha
Ingredientes
- 1 beringela grande fatiada em 4
- 4 filés de sardinha
- 1 tomate cortado em rodelas
- 1/2 cebola cortada em rodelas
- 1/2 pimentão verde cortado em tiras
- 1 dente de alho amassado - sal e pimenta a gosto
- suco de 1 limão - 1 xícara (chá) de molho de tomate
- 1/2 xícara (chá) de ricota esfarelada
- 2 colheres (sopa) de salsinha picada
- 1 colher (chá) de noz moscada ralada
Modo de Preparo
Deixe as fatias de beringela, com casca, de molho por 30 minutos em água com a metade do o suco de limão. Tempere os filés de sardinha com alho, sal, pimenta e o restante do limão. Arrume em um refratário, metade do molho de tomate, 2 beringelas, os filés de sardinha temperados, o tomate cortado em rodelas, o pimentão, a cebola, metade da salsinha, mais duas fatias de beringela, o restante do molho e por último a ricota. Polvilhe com a noz moscada e cubra o refratário com papel alumínio. Leve ao forno por 15 minutos em forno médio e pré-aquecido. Retire o papel e deixe dourar. Depois de dourado, salpique o restante da salsinha.
Eu por mim continuo a preferir o pão na bela da sardinha.
19 setembro, 2006
Convento de Mafra
A ida do rei ao quarto da rainha
«Entram com el-rei dois camaristas que o aliviam das roupas supérfluas, e o mesmo faz a marquesa à rainha, de mulher para mulher, com ajuda doutra dama, condessa, mais uma camareira-mor não menos graduada que veio da Áustria, está o quarto uma assembleia, as majestades fazem mútuas vénias, nunca mais acaba o cerimonial, enfim lá se retiram os camaristas por uma porta, as damas por outra, e nas antecâmaras ficarão esperando que termine a função, para que el-rei regresse acompanhado ao seu quarto (...) e venham as damas a este aconchegar D. Maria Ana (...).
Vestem a rainha e o rei camisas compridas, que pelo chão arrastam (...). D. João V conduz D. Maria Ana ao leito, leva-a pela mão como no baile o cavaleiro à dama, e antes de subirem os degrauzinhos, cada um de seu lado, ajoelham-se e dizem as orações acautelantes necessárias, para que não morram no momento do acto carnal, sem confissão, para que desta nova tentativa venha a resultar fruto (...)»
in Memorial do Convento, P. 10 e 11, Ed. Narrativa Actual
A ida do rei ao quarto da rainha, para um acto íntimo, era uma verdadeira cerimónia.
Vestem a rainha e o rei camisas compridas, que pelo chão arrastam (...). D. João V conduz D. Maria Ana ao leito, leva-a pela mão como no baile o cavaleiro à dama, e antes de subirem os degrauzinhos, cada um de seu lado, ajoelham-se e dizem as orações acautelantes necessárias, para que não morram no momento do acto carnal, sem confissão, para que desta nova tentativa venha a resultar fruto (...)»
in Memorial do Convento, P. 10 e 11, Ed. Narrativa Actual
A ida do rei ao quarto da rainha, para um acto íntimo, era uma verdadeira cerimónia.
18 setembro, 2006
A realização fica a cargo de Fernando Meirelles, autor de filmes como a Cidade de Deus e Fiel Jardineiro. O filme será rodado entre Toronto e São Paulo, com um orçamento de 15,7 milhões de euros e a sua estreia está prevista para 2008.
O título em inglês vai ser Blindness.
Pena que não façam um filme de época baseado no Memorial do Convento, tenho a certeza que ia dar um bom argumento.
16 setembro, 2006
Curiosidade ...
Foi D. João V quem mandou construir o Aqueduto das Águas Livres, com o intuito de resolver o problema de abastecimento de água à cidade de Lisboa. As obras começaram em Agosto de 1732 e o abastecimento fez-se, pela primeira vez, nos finais de Outubro de 1744.15 setembro, 2006
O Rei e a Rainha


«D. João, quinto do seu nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa e até hoje ainda não emprenhou.»
in Memorial do Convento, P. 7, RBA
É com esta frase que se inicia a obra, O Memorial do Convento, que o À Volta das Letras propõe para leitura durante o mês de Setembro. Nas três páginas iniciais, Saramago vai expondo algumas ideias, da época, sobre a fertilidade. Diz ele:
«Que caiba a culpa ao rei, nem pensar, primeiro porque a esterilidade não é um mal dos homens, das mulheres sim, por isso são repudiadas tantas vezes (...)» P. 7
«(...) porque sendo a mulher, naturalmente, vaso de receber (...)» P. 9
«(...) nem a persistência do rei, que, salvo dificultação canónica ou impedimento fisiológico, duas vezes por semana cumpre vigorosamente o seu dever real e conjugal, nem a paciência e humildade da rainha que, a mais das preces, se sacrifica a uma imobilidade total depois de retirar-se de si e da cama o esposo, para que não se perturbem em seu gerativo acomodamento os líquidos comuns (...)» P. 7 e 8
«O cântaro está à espera da fonte» P. 9
A mulher era vista apenas como um receptáculo.
P.S. Os sublinhados (bold) são meus.
14 setembro, 2006
Opinião
“Sobre as páginas de um livro pode-se chorar, mas não sobre o ecrã de um computador”
Palavras de José Saramago, prémio Nobel da Literatura, proferidas em Rosario, Argentina, onde defendeu que o livro sobreviverá à internet.
Diário de Notícias de 21 de Novembro de 2004
José Saramago defende que a internet não vai subsituir os livros.
Estou de acordo, há muito num livro para além da sua leitura. Quanto a vocês não sei, mas eu quando pego num livro a primeira coisa que faço é cheirá-lo (uma mania estranha), depois gosto de passar a mão pelas páginas, olho bem para ele, abro, fecho e só depois deste ritual é que o leio.
Será muito dificil os livros serem trocados pelos computadores.
13 setembro, 2006
Poema
Poema à boca fechada
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)
José Saramago
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)
José Saramago
Saramago Poeta, confesso que para mim foi uma surpresa agradável!
Desconhecia este seu lado e apesar de não ser uma apreciadora de poesia, tenho gostado do que tenho lido.
12 setembro, 2006
Biografia
José Saramago nasceu a 16 de Novembro de 1922, na Azinhaga (Golegã). Veio para Lisboa aos 3 anos com os seus pais, estudou até fazer o ensino secundário (liceal e técnico). Por dificuldades financeiras começou a trabalhar abandonando os estudos.
Pode-se dizer que Saramago foi um homem dos sete ofícios. Começou por ser serralheiro mecânico, depois desenhador, funcionário da saúde, editor, tradutor, jornalista. Esteve 12 anos na revista Seara Nova. Passou pelo Diário de Lisboa, como comentador politico, de Abril a Novembro de 1975. Foi também director adjunto do Diário de Noticias.
A partir de 1976 dedica-se exclusivamente a escrita. Vive actualmente em Lanzarote, nas ilhas Canárias.
É acusado de ser polémico, devido as suas opiniões sobre a religião e politica.
Saramago é um dos escritores portugueses mais premiados de sempre, recebeu o Prémio Nobel em 1998, é apelidado por muitos como o “mestre” da literatura portuguesa.
Obras publicadas:
Poesia
Pode-se dizer que Saramago foi um homem dos sete ofícios. Começou por ser serralheiro mecânico, depois desenhador, funcionário da saúde, editor, tradutor, jornalista. Esteve 12 anos na revista Seara Nova. Passou pelo Diário de Lisboa, como comentador politico, de Abril a Novembro de 1975. Foi também director adjunto do Diário de Noticias.
A partir de 1976 dedica-se exclusivamente a escrita. Vive actualmente em Lanzarote, nas ilhas Canárias.
É acusado de ser polémico, devido as suas opiniões sobre a religião e politica.
Saramago é um dos escritores portugueses mais premiados de sempre, recebeu o Prémio Nobel em 1998, é apelidado por muitos como o “mestre” da literatura portuguesa.
Obras publicadas:
Poesia
Crónica
· Deste Mundo e do Outro, 1971
· A Bagagem do Viajante, 1973
· As Opiniões que o DL teve, 1974
· Os Apontamentos, 1976
Diário
· Cadernos de Lanzarote I, 1994
· Cadernos de Lanzarote II, 1995
· Cadernos de Lanzarote III, 1996
· Cadernos de Lanzarote IV
Viagem
· Viagem a Portugal, 1981
Teatro
· A Noite, 1979
· Que Farei Com Este Livro?, 1980
· A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
· In Nomine Dei, 1993
Conto
· Objecto Quase, 1978
· Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979
Infanto-juvenil
· Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
· Levantado do Chão, 1980
· Memorial do Convento, 1982
· O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
· A Jangada de Pedra, 1986
· História do Cerco de Lisboa, 1989
· O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
· Ensaio sobre a Cegueira, 1995
· Terra do Pecado, 1997
· Todos os Nomes, 1997
· A Caverna, 2000
· O Homem Duplicado, 2002
· Ensaio sobre a Lucidez, 2004
· As Intermitências da Morte, 2005
10 setembro, 2006
Hoje de manhã...
Desta vez no Mosteiro de São Vicente de Fora. Falou-se das leituras de Verão, dos teatros que vimos, dos sítios que visitámos, do que queremos ver em Outubro e até se trocaram livros...
E claro, falámos do livro, que nos trouxesse a este encontro, A Lua pode esperar de Gonçalo Cadilhe.
Desta leitura, todos concordaram que se leu muito bem, que foi uma boa sugestão para o mês de Agosto, que nos abriu novos horizontes. Enfim, foi um livro que gostámos de ler.
Para o próximo encontro, dia 8 de Outubro às 10h30, escolhemos o Memorial do Convento, de José Saramago. O local de encontro é o Convento de Mafra.
A sugestão fica feita.
Boas leituras.
08 setembro, 2006
Post It
Este post é só para lembrar que o nosso encontro é já no Domingo, às 10h30 no Mosteiro de São Vicente de Fora. Quem não leu o livro, não se preocupe pois não é o único.
Já agora tragam sugestões de novas leituras e de novos locais para os encontros.
Até Domingo!
04 setembro, 2006
Imprevistos...

Vamos ter de alterar o dia e local do encontro. No dia 9 a Cafetaria da Regaleira vai estar fechada, pois vai haver uma casamento na Quinta, (que sorte poder casar num sítio daqueles), calculo que algumas zonas, inclusive o Palácio não estejam acessíveis ao público.
Por isso decidimos adiar esta visita talvez para o próximo encontro.
Sendo assim, a nova data do encontro é dia 10/09 às 10h30, na Cafetaria do Mosteiro de São Vicente de Fora, diz quem já conhece ser um espaço magnífico. Vamos ver.
Quem precisar de mais informações, pode contactar-nos por e-mail.
A foto foi roubada do Canal Caveira.
30 agosto, 2006
Pergunto
Já todos leram o A lua pode esperar, de Gonçalo Cadilhe?
Estamos muito perto do dia do encontro. Relembro que será no dia 9 de Setembro às 10h30, na cafetaria da Regaleira.
Para aproveitar ainda melhor estes encontros, o À volta das letras, decidiu preparar uma visita guiada à Quinta da Regaleira.
Por isso quem estiver interessado, já sabe no fim do encontro vamos passear um pouco pela quinta e aprender mais sobre este espaço magnífico!
25 agosto, 2006
Mais um dia especial
24 agosto, 2006
Deveríamos pensar mais vezes assim ..
"Não sou aquilo que possuo mas sim aquilo que vivo"
in A Lua Pode Esperar, P. 223
in A Lua Pode Esperar, P. 223
Hoje é um dia especial
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